REGIÃO | Paulo do Nascimento Cabral destaca o papel da produção de carne e de leite na autonomia estratégica europeia

O Eurodeputado do PSD, Paulo do Nascimento Cabral, interveio na Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu durante os debates sobre o plano de ação para a resiliência, autonomia estratégica, e sustentabilidade do sistema de produção de proteínas da União Europeia, e relativo à estratégia da União para o setor pecuário, onde defendeu a “importância da pecuária, da produção de carne, da produção de leite, para aquilo que é o essencial da autonomia estratégica da União Europeia”.
“Durante alguns anos nós diabolizámos o que era a produção de leite, a produção de carne, e agora percebemos que são fundamentais. A pecuária é talvez a única atividade possível em algumas das regiões da União Europeia, desde logo nas Regiões Ultraperiféricas, que pode ter alguma escala. E é elementar que possamos protegê-las”, afirmou Paulo do Nascimento Cabral.
O Eurodeputado do PSD manifestou-se também “muito preocupado com o aumento dos custos de produção, como os combustíveis e os fertilizantes, que têm limitado muito os rendimentos dos agricultores, e que os têm levado a ponderarem se devem ou não abandonar a atividade. Temos de garantir estabilidade e previsibilidade, não podemos estar constantemente a alterar legislação”.
“Saúdo, portanto, a relação com o Banco Europeu de Investimento para os mecanismos de gestão de riscos e a importância de nós criarmos um mecanismo de resseguro agrícola europeu, para garantirmos aos nossos agricultores rendimentos mais estáveis”, acrescentou o Eurodeputado, sublinhando, ainda que “nós temos de ter condições de concorrência leais entre o que chega de fora e quem produz na União Europeia”.
Paulo do Nascimento Cabral alertou, por outro lado, para a elevada dependência externa proteica da União Europeia, destacando que “94% da soja é importada, além dos 25% de proteína bruta, isto mostra que nós temos aqui um caminho a fazer. É muito importante que nós tenhamos essa consciência, mas não pode haver uma competição entre produções proteicas, temos de promover uma complementaridade entre a produção de proteína animal e vegetal, mas também podemos alargar à proteína de insetos para alimentação animal, por exemplo, à aquacultura, e também até de algas”.
Paulo do Nascimento Cabral relembrou, por fim, que “produzir alimentos é também segurança e defesa europeias, e que a produção proteica deve estar também relacionada com a bioeconomia”, dando o exemplo dos “efluentes pecuários que devem ser potenciados” para fertilizantes biológicos e energia, para além da “utilização de proteína para a produção de energia. A agricultura, a produção de alimentos deve ser um ativo ainda mais estratégico da União Europeia, e temos de aproveitar este momento dando condições favoráveis aos agricultores para investirem neste setor”.
PE/RÁDIOILHÉU






