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ATUALIDADE | Os livros que foram referência no processo de escrita de  “Rabo de Peixe”

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Augusto Fraga, mente criativa por trás de uma das séries mais badaladas do  momento, “Rabo de Peixe”, que neste momento se encontra no top 10 em 33  países na plataforma de streaming Netflix, convidou os autores Hugo Gonçalves  e João Tordo para que, juntos, criassem um guião surpreendente, e que, de  alguma forma, representasse os Açores e os açorianos, principalmente da vila  homónima, de uma forma mais fidedigna, sem cair no erro de perpetuar  estereótipos e preconceitos sobre uma comunidade que ainda nos dias de hoje é  vítima de alguma marginalização, desconfiança e até medo. 

Segundo o realizador Augusto Fraga, que apesar de ser natural de Vila Franca  do Campo, também ela uma vila piscatória micaelense, houve alguns ‘guias’  [livros], escritos por açorianos, que o ajudaram a ele e aos restantes argumentistas  a entenderem a história dos Açores, a mentalidade das suas gentes, o sentimento  de insularidade e, claro, as tão apreciadas expressões e palavras típicas de São  Miguel, principalmente o seu calão, destacando, essencialmente o “Dicionário  Sentimental da Ilha de São Miguel de A a Z”, de Fátima Sequeira Dias, uma  edição Letras Lavadas, que é um êxito de vendas, com mais de 16000 exemplares  vendidos. Este é um pequeno dicionário de bolso com um registo carinhoso e  bem-humorado de factos históricos, expressões e particularidades do ‘falar’  micaelense. 

Hugo Gonçalves destaca ainda outros livros que foram grandes ajudas na  construção do argumento da série, como o “Perguntas e Respostas sobre a  História dos Açores”, de Luís Mendonça, em que o autor esclarece parcelas  importantes da memória colectiva dos Açores, que fazem parte de uma História  com mais de 500 anos, em apenas 70 perguntas, obra também editada pela  açoriana Letras Lavadas.

Para além destes livros mais ‘técnicos’, a ficção escrita por açorianos também foi  importante para a construção da narrativa de “Rabo de Peixe”, tendo Hugo  Gonçalves referenciado “Céu nublado com boas abertas”, de Nuno Costa Santos,  uma edição Quetzal, cuja narrativa passa por um homem que volta à sua terra  para cumprir uma missão que lhe foi atribuída por um avô que morreu: a de  recolher histórias recentes dessa terra, a ilha de São Miguel, cujas histórias,  caricatas, se cruzam; e “Arquipélago”, de Joel Neto, editado pela Marcador, cujo  enredo gira em volta de uma criança desaparecida e de um homem que não sente  terramotos, cujo mistério irá acompanhá-lo durante a vida, e que só irá desvendar quando regressa à ilha Terceira, sua terra natal, e desenterra tudo o que os anos,  a insularidade e os destroços do grande terramoto haviam soterrado. 

E, por fim, “Açores – O Segredo das Ilhas”, de João de Melo, editado pela Dom  Quixote, que consiste numa narrativa de viagem pelas nove ilhas dos Açores, que  na óptica do autor, não são apenas um local turístico, «mas também poético e  literário à medida de cada viagem e da sua aventura.» 

LL/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.