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ATUALIDADE | Festival Internacional dos Açores chega às nove ilhas e reforça dimensão nacional na 20.ª edição

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Governantes destacaram a importância do FIA no acesso à cultura em todo o arquipélago e reconheceu os desafios específicos da criação e circulação artística nos Açores.

Sob o mote “A Terra e o Sonho”, foi apresentada este sábado, 12 de setembro, a 20.ª edição do Festival Internacional dos Açores (FIA). A sessão decorreu no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, e marcou o arranque de uma edição histórica, que se prolonga entre 2026 e 2027, e que mantém como uma das suas principais características a presença nas nove ilhas do arquipélago.

Na sessão, o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, destacou as especificidades da atividade cultural nos Açores, reconhecendo que “quem produz, quem programa e quem faz circulação e criação artística aqui nos Açores suporta precisamente custos que uma estrutura instalada no continente não enfrenta”.

Também a Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, sublinhou o papel do FIA na democratização do acesso à cultura.

“Há polos em que é mais fácil o acesso à cultura e diversidade da cultura e depois há outros em que o cidadão não consegue aceder porque não tem respostas. Creio que esse é, cada vez mais, o nosso desafio, nos dias de hoje”, afirmou, defendendo que “é necessário que todas as ilhas tenham acesso à cultura”.

A programação da 20.ª edição do FIA, leva música, teatro, cinema, conferências, formação e criação artística a várias ilhas do arquipélago, reforçando a dimensão descentralizada e comunitária do Festival.

Entre os principais momentos desta edição estão “Entre Mulheres”, de Ana Paula Russo e Nuno Dias, na Graciosa, a 10 de outubro; o concerto de Nicolás Pérez-Nievas Baquedano, na Terceira, a 10 de outubro; o concerto do Duo Artur Pizarro e Daniel Bernardes, no Pico, a 20 de outubro, seguido de uma masterclass com os dois músicos, a 21 de outubro; e “Sonatas de Chopin”, por Artur Pizarro, em São Miguel, a 22 de outubro. No mesmo dia, no Faial, Daniel Bernardes apresenta o cine-concerto “Nosferatu”. A programação prossegue na Terceira, com Rafael Kyrychenko, a 24 de outubro, e em São Jorge, com “Heroínas do Destino”, de Carla Caramujo e Pedro Lopes, a 31 de outubro.

A dimensão de criação artística com as comunidades locais assume igualmente um lugar central nesta edição, através dos projetos “O sonho e a terra”, de Alexandra Battaglia, em Rabo de Peixe, com workshop entre 29 de outubro e 6 de novembro e apresentação a 7 de novembro, e “A ilha EnCena”, de Custódia Gallego, na Terceira, com workshop e criação entre 29 de novembro e 6 de dezembro.

O programa inclui ainda duas conferências: “50 anos de Autonomia – O Estado da Cultura nos Açores”, a 9 de novembro, no Teatro Micaelense, em São Miguel, e a conferência comemorativa da 20.ª edição do Festival Internacional dos Açores, a 29 de novembro, na Biblioteca de Angra do Heroísmo.

A apresentação assinalou ainda os 42 anos da primeira edição do FIA, realizada em 1984, no Teatro Micaelense, e incluiu a apresentação do livro “Um Arquipélago de Música no Meio do Atlântico”, dedicado à história do festival, e uma homenagem aos seus fundadores, Jorge Forjaz e Adriano Jordão.

Tiago Nunes, diretor do FIA, recordou o percurso de recuperação do festival, retomado em 2021, e a chegada às nove ilhas em 2023. “Um festival que quer trabalhar com as comunidades tem de as ouvir”, afirmou, sublinhando que os projetos comunitários desta edição “não são um complemento do festival. São o festival”.

“Este festival não é nosso. É dos açorianos”, afirmou Tiago Nunes. Pedro Vaz Marques, vice-presidente da Égide – Associação Portuguesa das Artes, destacou igualmente o legado dos fundadores e a responsabilidade de dar continuidade a esse percurso: “Honrar a memória do passado é a única e verdadeira garantia de que teremos futuro”.

A 20.ª edição do Festival Internacional dos Açores é produzida em coorganização pela Égide – Associação Portuguesa das Artes, e pela CulturXis – Associação de Desenvolvimento Artístico.

O programa completo pode ser consultado em https://festivalinternacionalacores.com/ e os bilhetes estão disponíveis através da Ticketline.

Sobre a ÉGIDE:

A ÉGIDE é uma organização dedicada à promoção da riqueza cultural portuguesa e dos seus artistas, com um histórico de eventos bem-sucedidos que congregam comunidades e exaltam a identidade nacional. O seu objeto social assenta na promoção e apoio a iniciativas de natureza cultural, artística, educativa e social. Neste contexto, posiciona-se como um veículo de excelência para a afirmação das artes e dos talentos nacionais, atuando como catalisadora para a produção e divulgação das artes, da cultura e do conhecimento. A ÉGIDE afirma-se como um elemento pioneiro na construção de pontes entre artistas, promotores de espetáculos e mecenas.

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.