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REGIÃO | JS Açores lamenta falta de sensibilidade do Governo da República para com os estudantes açorianos

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A Juventude Socialista dos Açores manifesta a sua profunda preocupação com a resposta apresentada pelo Governo da República para os atrasos verificados na divulgação das classificações dos exames nacionais, considerando que a solução anunciada está longe de responder aos problemas que afetam centenas de estudantes açorianos.

Para o Presidente da JS Açores, Russell Sousa, “o Governo da República voltou a demonstrar que continua sem compreender a realidade dos estudantes açorianos. Viver nos Açores não é o mesmo que viver no continente. Cada atraso tem consequências muito mais graves para quem precisa de organizar viagens, alojamento, candidaturas e toda a sua vida com semanas de antecedência.”

A criação de uma época especial de exames em setembro não resolve a situação dos alunos que continuam sem classificações ou daqueles que, perante os resultados obtidos, necessitam de recorrer à segunda fase dos exames nacionais.

“Infelizmente, esta solução chega tarde e é insuficiente. Há centenas de alunos que continuam sem conhecer as suas classificações e outros que apenas agora sabem que terão de realizar exames na segunda fase. Não se pode exigir que estes jovens reorganizem toda a sua vida em poucos dias por falhas que são exclusivamente da responsabilidade do Estado”, afirma Russell Sousa.

A JS Açores alerta ainda para uma questão particularmente grave para os estudantes das Regiões Autónomas: os candidatos que ingressam através da segunda fase deixam de poder beneficiar do contingente especial destinado aos estudantes açorianos e madeirenses, concorrendo apenas pelo contingente geral.

“Este é um dos aspetos mais injustos de toda esta situação. Um aluno açoriano que seja empurrado para a segunda fase, por circunstâncias que não controla, perde automaticamente a possibilidade de beneficiar do contingente especial de acesso ao ensino superior. Isto significa que pode ficar numa posição de desigualdade relativamente aos restantes estudantes, sem ter qualquer responsabilidade no sucedido.”

Para Russell Sousa, “não basta pedir desculpa aos alunos. O Governo tem a obrigação de garantir que nenhum estudante é prejudicado por falhas administrativas que lhe são totalmente alheias. A igualdade de oportunidades não pode depender da sorte nem do código postal.”

A Juventude Socialista dos Açores considera que a resposta apresentada revela uma preocupante falta de sensibilidade do Governo da República e, em particular, do Ministro da Educação, para com a realidade das Regiões Autónomas, onde o acesso ao ensino superior implica custos e constrangimentos muito superiores aos sentidos no território continental.

“Os jovens açorianos não podem continuar a ser esquecidos sempre que surgem problemas desta dimensão. Exigimos soluções que tenham em conta a nossa condição ultraperiférica e que assegurem que nenhum estudante perde oportunidades de acesso ao ensino superior devido a erros que não cometeu”, conclui Russell Sousa.

A Juventude Socialista dos Açores apela, por isso, ao Governo da República para que adote medidas excecionais que garantam que nenhum estudante açoriano seja prejudicado no acesso ao ensino superior em consequência dos atrasos na divulgação das classificações dos exames nacionais.

JS/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.