ATUALIDADE | Estudo do IVAR explica a deformação crustal detetada durante a crise sismovulcânica de São Jorge em 2022

Um novo estudo científico sobre a crise sismovulcânica que afetou a ilha de São Jorge em 2022 traz avanços importantes para a compreensão de processos magmáticos que podem controlar a atividade vulcânica nos Açores. Com base em dados geodésicos obtidos por GNSS (sistema de navegação por satélite) e InSAR (sistema de radar por satélite), um grupo de investigadores do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores, em colaboração com investigadores do Reino Unido, da França e da Islândia, analisou a crise vulcânica de 2022, revelando novos detalhes sobre a movimentação de magma em profundidade.
Segundo o investigador João D’Araújo, os dados GNSS mostraram que estações localizadas nas ilhas da Graciosa e do Pico se afastaram da ilha de São Jorge durante este episódio, indicando um processo de deformação associado à intrusão magmática. As imagens InSAR, por outro lado, evidenciaram uma elevada deformação crustal na ilha de São Jorge.
O estudo científico agora publicado numa revista internacional associa a crise sismovulcânica a uma intrusão magmática que ascendeu subitamente no dia 19 de março de 2022 desde vários quilómetros de profundidade até cerca de 2 a 3 quilómetros abaixo da superfície, sem sinais precursores claros. Esta intrusão magmática terá ocorrido sob a forma de um dique vertical (uma fratura na crosta onde o magma se infiltra e se propaga, abrindo caminho entre as rochas). Após a subida inicial, o magma propagou-se lateralmente e em profundidade ao longo desse dique, por mais de 10 km, em menos de 24 horas. O estudo realizado foi suportado por modelos físicos e numéricos, e os resultados mostraram, ainda, que a interação entre o relevo acentuado da ilha e o movimento lento das placas tectónicas ao longo de milhares de anos cria condições favoráveis à ascensão de magma sob a ilha.
Esta publicação científica, mais uma vez, reforça a importância da monitorização da deformação crustal no arquipélago dos Açores, e ao combinar observações geodésicas detalhadas com modelação numérica avançada, o trabalho representa um passo significativo para a compreensão de crises vulcânicas na região.
O estudo, intitulado “Interplay of Tectonics and Topography Facilitated Sudden Dyke Intrusion in 2022 at São Jorge Island, Azores”, foi recentemente publicado na revista Geophysical Research Letters (https://doi.org/10.1029/2025GL119832), e parcialmente apoiado por financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (Projecto UID/00643/2025, DOI https://doi.org/10.54499/UID/00643/2025).
IVAR/RÁDIOILHÉU






