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AÇORES | Berta Cabral defende segurança rodoviária como prioridade transversal das políticas públicas de mobilidade

| Foto: MM
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A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, afirmou este fim de semana, na Lagoa, que discutir motociclos “não é apenas falar de mobilidade, mas, sobretudo, de risco”.

“Abordar o risco obriga-nos a falar de prevenção, de políticas públicas consistentes e de uma cultura de responsabilidade partilhada”, vincou.

A governante interveio na sessão “Sinistralidade Rodoviária com Motociclos, Políticas e Prevenção”, integrada no V Fórum Nacional de Segurança, Sensibilização e Prevenção Rodoviária para Motociclistas, promovido pela Associação Bênção dos Capacetes, no Auditório do NONAGON – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel.

Berta Cabral destacou que, nos Açores, “a segurança rodoviária tem sido assumida como uma prioridade transversal das políticas públicas de mobilidade”, salientando que o Plano Regional inclui, todos os anos, verbas específicas para esta área.

“A sinistralidade envolvendo motociclos é, há muito, um dos maiores desafios das políticas de mobilidade e segurança rodoviária”, afirmou, reforçando que o tema exige “atenção redobrada de todos – decisores políticos, técnicos, forças de segurança, formadores e cidadãos”.

Segundo a governante, não estão apenas em causa estatísticas: “As consequências humanas, sociais e familiares são profundas. Os motociclistas são utilizadores particularmente vulneráveis, devido à ausência de proteção física, à menor visibilidade no tráfego, à instabilidade inerente a um veículo de duas rodas e à elevada exposição ao ambiente rodoviário. Qualquer erro — próprio ou alheio — pode ter impactos graves”.

Nos últimos anos, o Governo dos Açores tem reforçado o investimento em campanhas de sensibilização, prevenção, fiscalização pedagógica e formação, envolvendo milhares de condutores, com foco nos grupos mais expostos ao risco.

Em 2025, a Subdireção Regional dos Transportes Terrestres participou em diversas ações de sensibilização rodoviária, desenvolvidas em articulação com os Comandos da PSP de todas as ilhas. Ao todo, foram abrangidos 1.898 condutores.

As iniciativas integraram campanhas nacionais promovidas pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, bem como ações regionais como “Taxa Zero ao Volante”, “Viajar sem Pressa”, “Cinto-me Vivo”, “Ao volante o telemóvel pode esperar” e “O melhor presente é estar presente”.

A Secretária Regional sublinhou que a estratégia regional assenta em três pilares fundamentais: formação contínua, comportamento responsável e condições adequadas de circulação.

Na formação, recordou a recente Portaria que permite que escolas de condução licenciadas possam ministrar formação para obtenção da carta de categoria AM, destinada a jovens dos 14 aos 16 anos.

“Esta é uma idade crítica para uma correta sensibilização e formação dos futuros condutores. Acreditamos que a experiência e o conhecimento das escolas de condução devem estar ao serviço da prevenção desde o início do percurso”, frisou.

Berta Cabral alertou para comportamentos que continuam a originar acidentes graves: “A velocidade excessiva, a condução sob efeito de substâncias, a fadiga, a desatenção e o excesso de confiança são fatores que temos de combater sistematicamente. Na estrada, a liberdade só é verdadeira quando é exercida com responsabilidade”.

Sobre as infraestruturas, a responsável da tutela reforçou que não podem ser descuradas: “O estado do piso, a sinalização, a coexistência segura entre modos de transporte e a atenção redobrada em interseções urbanas, vias rurais e durante a noite são aspetos críticos para reduzir a sinistralidade”.

A governante destacou ainda um ponto frequentemente esquecido: “A segurança dos motociclistas não depende apenas dos motociclistas. Depende também do comportamento dos restantes condutores, da sua atenção, da distância de segurança e da consciência de que partilhamos a estrada com utilizadores mais vulneráveis”.

E concluiu: “Promover uma cultura de segurança rodoviária é promover uma cultura de respeito pela vida humana. Cada capacete corretamente colocado, cada peça de proteção, cada decisão de reduzir a velocidade ou antecipar um risco pode ser a diferença entre um susto e uma tragédia. Enquanto responsáveis públicos, temos o dever de investir em políticas que salvam vidas.”

GRA/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.