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TERCEIRA | IL. Obras na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade são “o pináculo da incompetência” governativa

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O Deputado da Iniciativa Liberal no Parlamento dos Açores, Pedro Ferreira, considerou, esta terça-feira, que as obras na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, em Angra do Heroísmo, são “o pináculo da incompetência” da governação da coligação nos Açores, afirmando que “o que acabamos de ver é tudo aquilo que nunca pensámos verem em lado nenhum”.

Após uma visita à Escola e uma reunião com o Conselho Executivo, o parlamentar liberal (“como antigo aluno, como pai de jovens que frequentam a Escola e como Deputado Regional”) lamenta que “o Governo não saia dos seus gabinetes”, “centralize concursos públicos”, “faça projetos sem verificar antes as reais necessidades da escola”, constatando que a obra “está dada como concluída e o Governo Regional aceitou-a sem ter o mínimo de condições”.    

“Eu lamento profundamente, em nome da Iniciativa Liberal, ter de dizer isso, mas a Senhora Secretária da Educação e a Senhora Secretária das Obras Públicas, se tivessem o mínimo de vergonha, faziam o favor de amanhã, virem ver o que está feito e o que os seus diretores regionais e técnicos das suas secretarias aceitaram. Isto não tem o mínimo de condições”, afirmou aos jornalistas.

“Eu diria que este é o pináculo da incompetência. Quase 2,3 milhões de euros de um concurso público feito com um caderno de encargos sem analisar as verdadeiras necessidades da escola, com uma obra que parte significativa já está dada como pronta e entregue à Região, onde parapeitos novos já caíram, onde não há fios de terra passados no âmbito da eletricidade da escola, onde há laboratórios de física e de química que estão fechados exatamente porque sem terra coloca-se em perigo a integridade física dos professores e dos alunos ao trabalharem com determinados equipamentos, onde meteram calhas novas mas não tiraram as calhas velhas, onde tiraram as calhas velhas mas não taparam os buracos, onde fizeram buracos e passaram cabos que fecharam com cimento obrigando a que da próxima vez que for preciso substituir é preciso mexer na internet e nas ligações elétricas todas da escola, onde não pintaram a escola, onde parte significativa do edificado, nomeadamente tudo o que são janelas nas escadarias, não foram mexidas, portanto, estão com o ferro a arrebentar, estão com os vidros partidos, estão com as tintas a estalar… e gastamos 2,263 milhões de euros nisto”, denunciou.

Mas, acrescentou Pedro Ferreira, há mais: “Há casas de banho que estão com as paredes verdes de humidade, devido a infiltrações que não foram reparadas e, por isso, estão fechadas (casas de banho de alunos e de professores). O pavilhão desportivo já nem sequer devia estar aberto. As fotografias que eu tirei mostram, inclusivamente, plantas que já nascem por cima das luminárias dentro do pavilhão. É uma coisa impressionante. Eu diria que dos países mais pobres do mundo, nenhum deles terá uma escola com estas condições. O que é isto?”. 

As mentiras

Sobre o pavilhão, o parlamentar liberal apontou ainda a crítica ao Diretor Regional da Educação: “No meu tempo de aluno, o pavilhão tinha balneários. Depois passaram a ser apenas casas de banho e hoje estão fechadas. É um pavilhão que fica no fim da escola e que serve apenas para os professores terem de dar algumas aulas de educação física. E sobre isso não posso deixar de lamentar que o Sr. Diretor Regional, mais um que deve governar sem sair do gabinete, tenha dito, na reportagem de sábado à RTP Açores, que o pavilhão estava fechado e que já não há aulas. É mentira! Primeiro, porque os professores têm de rodar as aulas por algumas modalidades. Depois, quando chove, naturalmente, aulas não podem ser dadas na rua têm de se usar o pavilhão. E terceiro, porque se for, por exemplo, aula de educação física for da modalidade de basquetebol, como a obra montou o estaleiro nos dois campos de basquete que a escola tem, o professor de educação física tem de ir para o pavilhão dar aulas. Portanto, como é que um Diretor Regional ainda tem a distinta lata de dizer à comunicação social que o pavilhão está fechado? Devia estar fechado há muito tempo. Tudo aquilo é, inclusivamente, um perigo para a saúde pública”.

Erros corrigem-se com trabalhos a mais 

Para Pedro Ferreira a incompetência estende-se também à forma de resolução que o Governo Regional parece querer utilizar para sanar os problemas detetados: “é que face às críticas e denuncias que, muito bem, a Associação de Pais já tem manifestado, a solução do Governo é, como o dinheiro não é deles, é de todos nós, trabalhos a mais. Trabalhos a mais para tentar repor erros crassos que estão cometidos por causa de um caderno de encargos mal feito e por causa de uma decisão estupidamente errada que este Governo de Coligação tomou que foi a centralização de todos os concursos públicos nas Obras Públicas”. 

Ora, frisa o Deputado da IL, a consequência desta decisão errada está à vista: “as Obras Públicas, à distância, fazem os projetos, à distância lançam os concursos, à distância adjudicam as obras e depois vêm receber as obras nesse estado e aceitam, que é o mais fantástico de todo o processo”. 

Em síntese, para os liberais é simples: “Ninguém consegue explicar como é que se está a gastar aqui 2,263 milhões de euros e a escola está nessas condições”. 

Pedro Ferreira sublinhou que vai levar o assunto ao Parlamento, “nomeadamente pedir o caderno de encargos” para perceber “que raio de caderno de encargos é que está aqui, porque o empreiteiro justifica-se dizendo que não retirou calhas, não tapou buracos, não arranjou vidros, porque não está no caderno de encargos. E, se o empreiteiro se justifica, se o Governo aceita a obra, eu admito que o empreiteiro tenha razão e fez aquilo que estava contratado para fazer”.

Deputados da AD fazem vídeos mas não visitam Escola

Por fim, mais uma constatação da IL: “Não posso também deixar de registar que, ainda há muitos poucos dias, vi nas redes sociais um Deputado do PSD Terceira que veio à frente desta escola fazer um vídeo, a gabar-se que a coligação estava a gastar 2,2 milhões de euros nesta obra. Tenho muita pena que a coligação não tenha tido a vergonha e a decência de entrar dentro da escola para ver a porcaria dos 2,2 milhões de euros que estão a ser gastos”. 

IL/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.