OPINIÃO

OPINIÃO | Purgas, por Luciano Barcelos

Foto: Rádio Club de Angra;
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Na União Soviética de Estaline todos ganhavam o mesmo, fossem trolhas ou ministros. Todos eram trabalhadores até ao dia em que os ministros refilaram e o ditador decidiu que eles passariam a ser “trabalhadores responsáveis”, ganhando assim mais uns trocos. Terá sido desta forma que o sapateiro Lazar Kaganovich, ministro influente, ganhou a sua primeira datcha. Era um tipo especial, este Lazar. Sempre que o chefe apertava, e Estaline era irascível como qualquer chefe político, ele puxava da banquinha de sapateiro que tinha no ministério, em Moscovo, e relaxava. Escapou às purgas do louco!

No Corvo, há um pequeno barão especializado em purgas. Paulo Estêvão iniciou uma cruzada política contra o médico Salgado, por sinal comunista, afastando-o da presidência do conselho de administração da unidade de saúde de ilha.

A primeira incongruência é por que razão uma unidade de saúde com sete trabalhadores tem um conselho de administração com três personagens? Não podia ser um delegado, um amanuense? Três trabalhadores responsáveis, muito bem pagos, gerindo o quê? Deve ser trabalhoso, deve! Chegados a este ponto, trilhamos a insanidade. Temos uma população em polvorosa, um médico ressabiado, mas confortado com o apoio popular, e um arrivista, por sinal candidato a deputado pelo PPM, que não vai resistir a incendiar, ainda mais, o ambiente.

Portanto, ao contrário do que disse o senhor presidente do governo regional, não se resolveu um problema: despoletou-se um problema, num tempo em que é cada vez mais difícil contratar médicos. E, sim, o senhor doutor também está a fazer política, ainda que, pelo meio, exerça a sua função a contento dos fregueses. Vamos ver quem ganha este duelo, sendo certo que, a prazo, o povo já perdeu!

DIÁRIOINSULAR/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.