OPINIÃO

OPINIÃO | Francisco Coelho: Incertos…

OPINIÃO | Francisco Coelho Cabral, deputado do PS/Açores
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…São os tempos que vamos vivendo. Na Ucrânia, tudo pode piorar. A contraofensiva ucraniana não produziu os resultados desejados, EUA e EU têm-se atrasado no apoio logístico-militar, e a Rússia aposta nisso. É claro que é mais fácil defender do que conquistar território, mas a Ucrânia tem que aumentar rapidamente a sua capacidade de produzir armamento, e, no melhor cenário, não se vê que, a curto prazo, a Rússia ceda 18% do território ucraniano que atualmente ocupa. A Europa tem que acelerar a ajuda económica e militar, para além da aliança política.

O reacender da guerra Israel/Hamas, após a maior matança de judeus a seguir ao Holocausto, tem levado a um extremar de posições que pode facilmente resvalar para um conflito regional aberto, numa zona estrategicamente sensível, e que envolve a liberdade de navegação e a produção e distribuição de petróleo – desviando as atenções da outra guerra e unindo o bloco emergente das ditaduras…Mas é claro que tudo pode ainda piorar, se pensarmos na guerra interna dos EUA … Apesar do bom desempenho económico, as cavadas fraturas e radicalismo político, com a ameaça do regresso de Trump, podem pôr em causa a legalidade democrática e a separação de poderes, levando a uma política externa isolacionista, desinteressada de regular o Mundo com os valores democráticas e de pagar o respetivo policiamento, enfraquecendo a NATO e desligando-se da Europa, incluindo o apoio à Ucrânia.

As eleições para o Parlamento Europeu correm o risco de fazer subir a extrema direita, enfraquecendo o projeto europeu num tempo crítico.

Quando tudo pode piorar, é preciso reforçar a participação e as boas escolhas, em tempo de vários perigos!

Francisco Coelho Cabral, deputado do PS/Açores

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.