
O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS/Açores, Luís Silveira, defendeu hoje a necessidade de avançar com a reconversão imediata da produção de leite para carne em São Jorge, sublinhando que o processo deve ser feito de forma controlada, responsável e em estreita articulação com o setor cooperativo.
“Esta é uma matéria que exige união, sensibilidade e, sobretudo, responsabilidade e ação”, afirmou o Deputado, rejeitando uma lógica de confronto entre os setores.
“Não estamos aqui para colocar a carne contra o leite ou o seu oposto”, ressalvou.
Luís Silveira lembrou a importância da produção leiteira para a economia de São Jorge, para as cooperativas e para a produção do Queijo São Jorge, defendendo que é necessário garantir o leite suficiente para a sua transformação, mas também reconhecer as dificuldades de explorações para as quais a continuidade na produção leiteira é cada vez mais difícil.
“Nessas explorações, e por inerência para esses produtores, a reconversão pode constituir uma alternativa para continuar a produzir, preservar emprego e atividade económica e evitar que produtores abandonem definitivamente a agricultura”, afirmou.
O Líder Parlamentar do CDS salientou ainda o impacto da conjuntura internacional no setor agrícola, nomeadamente através do aumento dos custos de produção, da instabilidade dos mercados e da retração do consumo.
“Não basta produzir. É preciso transformar e conseguir colocar o produto no mercado”, alertou.
Neste contexto, Luís Silveira considerou urgente avançar com a reconversão leite/carne em São Jorge, esclarecendo que a defesa de novos direitos à vaca aleitante não significa que estes tenham de ser exclusivos da ilha.
“São Jorge não pode deixar de ter acesso a novos direitos quando estes forem disponibilizados”, afirmou o Deputado, acrescentando que “se a solução for regional, a ilha de São Jorge deve estar incluída e se a solução for faseada ou diferenciada, a ilha de São Jorge deve ser considerada.”
O Deputado defendeu que a atribuição destes direitos deve ter em conta a dimensão das explorações, as dificuldades económicas e estruturais, as situações de maior vulnerabilidade e os constrangimentos territoriais.
Ao mesmo tempo, reiterou que a reconversão deve respeitar a capacidade e as necessidades do setor cooperativo.
“Não queremos criar um problema onde hoje existe outro. Queremos é resolver. Não queremos retirar sustentabilidade ao setor leiteiro. Queremos é permitir uma adaptação responsável da produção”, disse.
Luís Silveira destacou ainda o compromisso manifestado pelo Governo Regional de alargar a São Jorge o mecanismo de reconversão leite/carne.
“Registamos esse compromisso com agrado, agora importa concretizá-lo”, afirmou.
O Líder Parlamentar do CDS apelou, por isso, a um trabalho conjunto entre Parlamento, Governo, Setor Cooperativo, Organizações Agrícolas e Parceiros Sociais, de forma a encontrar “o equilíbrio entre a produção de leite, a capacidade de transformação, a produção de Queijo São Jorge e a capacidade real de colocação do produto no mercado”.
“Esta não é uma batalha entre setores. É um desafio de toda a agricultura”, frisou.
“São Jorge precisa de uma resposta. Os nossos agricultores precisam de uma resposta. E essa resposta não pode esperar”, concluiu Luís Silveira, defendendo uma política agrícola capaz de garantir “equilíbrio, sustentabilidade e futuro”.
CDS/AÇORES/RÁDIOILHÉU






