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INTERNACIONAL | Sismo Turquia e Síria: Um mês depois, mais de 850.000 crianças continuam desalojadas devido aos terramotos mortais

On 1 March 2023 in A'zaz, north-west Syria, Mohamed Mazin Hamadi, 13, and his younger brother Hamza, 5, at a newly established camp for families displaced by the earthquakes.
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Um mês depois dos dois sismos catastróficos que atingiram o sul da Turquia e a Síria, mais de 850.000 crianças continuam deslocadas depois de terem sido forçadas a abandonar as suas casas danificadas ou destruídas.

O número total de crianças mortas e feridas durante os terramotos não foi confirmado, mas é provável sejam vários milhares. O número de mortos devido aos terramotos e às réplicas ultrapassou as 50.000 vítimas, somando-se milhares feridos e a destruição maciça de edifícios e outras infra-estruturas essenciais.

O impacto dos sismos nas crianças e nas famílias da região tem sido catastrófico, deixando centenas de milhares de pessoas a viver em condições precárias. Muitas famílias perderam as suas casas e estão agora a viver em abrigos temporários.

Só na Turquia, mais de 1,9 milhões de pessoas estão alojadas em abrigos temporários com acesso limitado a serviços básicos como água, saneamento e serviços médicos. 2,5 milhões de crianças no país precisam de assistência humanitária urgente.


“As famílias que foram forçadas a abandonar as suas casas passaram as últimas quatro semanas focadas na sua sobrevivência, as suas vidas estão suspensas enquanto continuar a haver réplicas”, disse a Diretora Regional da UNICEF para a Europa e Ásia Central, Afshan Khan. “Agora, é crucial fazermos o possível para ajudar as famílias a começar a reconstrução das suas vidas – prestando apoio psicossocial às crianças, levando-as de volta à aprendizagem o mais depressa possível, e proporcionando alguma estabilidade no meio do caos.”

Na Síria, acredita-se que mais de 500.000 pessoas tenham sido obrigadas a abandonar as suas casas devido aos terramotos. Muitos lares foram destruídos e as crianças têm medo de regressar a casas danificadas, uma vez que as réplicas continuam a sentir-se. Mesmo antes dos terramotos, a Síria já tinha o maior número de deslocados internos do mundo, com 6,8 milhões de pessoas deslocadas – incluindo quase três milhões de crianças. Em toda a Síria, mais de 3,7 milhões de crianças foram afectadas pelos tremores de terra.

“Mesmo antes destes sismos catastróficos, as necessidades humanitárias das crianças da Síria eram mais elevadas do que nunca,” afirmou Adele Khodr, Diretora Regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África. “À medida que nos aproximamos dos 12 anos de conflito, milhões de famílias vivem à beira do desastre, sentindo-se como se o mundo as tivesse esquecido. Devemos apoiar estas famílias a longo prazo, ajudando-as a recompor as suas vidas.”

A UNICEF chegou a quase meio milhão de pessoas com serviços e abastecimento de água, saneamento e higiene (WASH) vitais, incluindo através do recurso a camiões cisterna, gestão de resíduos sólidos, limpeza de fossas sépticas, bem como o fornecimento de kits de higiene familiar e outros artigos críticos em toda a Síria. Mais de 294.000 pessoas, incluindo as que se refugiam em abrigos, beneficiaram de artigos essenciais e de consultas médicas em centros de saúde e através de equipas de saúde móveis apoiados pela UNICEF. Mais de 130.000 crianças com menos de cinco anos receberam serviços de nutrição em todas as áreas afectadas pelo terramoto. A UNICEF apoiou também mais de 100.000 crianças e cuidadores com apoio psicológico, incluindo primeiros socorros psicológicos, actividades recreativas, apoio psicossocial e sessões de parentalidade. Além disso, distribuiu material escolar e kits recreativos em escolas e abrigos para se proporcionar às crianças a oportunidade de continuarem a aprender.

“As ameaças agravam-se rapidamente para as famílias deixadas vulneráveis pelo terramoto”, disse Adele Khodr. “Uma resposta abrangente e integrada para apoiar as crianças e as famílias é fundamental para evitar que estas ameaças se sobreponham a uma situação já de si catastrófica. As equipas da UNICEF estão junto das crianças e das famílias afectadas, mas as necessidades são enormes e o apoio continuado é vital.”

Na Turquia, a UNICEF distribuiu roupa de inverno, aquecedores eléctricos e cobertores a quase 277.000 pessoas, incluindo mais de 163.000 crianças. Trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde, a UNICEF está a adquirir vacinas e equipamento de armazenamento para a cadeia de frio. 258.000 pessoas, incluindo 148.000 crianças, receberam artigos de higiene. A UNICEF tem vindo a criar espaços amigos das crianças perto de centros de alojamento temporário e, até à data, mais de 5.000 crianças beneficiaram de primeiros socorros psicossociais e actividades recreativas. A UNICEF tem apoiado o Ministério da Educação da Turquia na criação de 87 tendas para o funcionamento de centros de aprendizagem temporários, onde aulas de recuperação estão a decorrer em dois turnos, beneficiando quase 3.600 crianças todos os dias. A UNICEF já chegou a mais de 193.000 pessoas com apoio psicossocial mediante o recurso a assistentes sociais formados, e continuamos a identificar as crianças não acompanhadas e separadas e a encaminhá-las para apoio adicional.

“As crianças viram o seu mundo inteiro desmoronar-se diante dos seus olhos, mas nós sabemos como ajudá-las a recuperar,” afirmou Afshan Khan. “Proporcionar às crianças os instrumentos necessários – apoio psicossocial, atividades lúdicas e aprendizagem, e a estabilidade advinda do facto de sabermos que as suas necessidades básicas são satisfeitas – são factores muito importantes para assegurar o seu bem-estar a longo prazo”.

Para a Turquia, a UNICEF está a lançou um apelo de US$196 milhões para apoiar 3 milhões de pessoas, incluindo 1,5 milhões de crianças.

Para a Síria, a UNICEF necessita de US$172,7 milhões para prestar apoio imediato vital a 5,4 milhões de pessoas, incluindo 2,6 milhões de crianças, afectadas pelo terramoto.

UNICEF/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.