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Câmaras da Terceira não aceitam decisão “calamitosa” e “entrave”

VOOS | Câmara de Angra refere que 10 companhias asseguram ligações internacionais diretas a Ponta Delgada no verão, enquanto as Lajes ficam com três
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Guido Teles teme um efeito “catastrófico” no Turismo da Terceira. Vânia Ferreira diz que o Governo Regional tem “refletir” sobre este “entrave”.

NOTÍCIA AVANÇADA PELO DIÁRIO INSULAR

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo defende que o fim do encaminhamento gratuito interilhas, pela SATA, para não residentes, será “calamitoso” para o turismo da Terceira. Também a Câmara Municipal da Praia da Vitória lamenta a decisão, que espera ser “repensada” pelo Governo Regional.

“Esta é uma decisão que decorreu da revisão das Obrigações de Serviço Público e que, na nossa opinião, é calamitosa”, afirmou, ontem, ao DI, Guido Teles, vice-presidente do município angrense. Guido Teles referiu que a medida “vem adicionar a um problema que já existia, de concentração de voos diretos internacionais na ilha de São Miguel, outro problema, ainda mais grave, porque passará a ser pago qualquer reencaminhamento por parte de não residentes”.

A autarquia já fez uma pesquisa para o verão IATA de 2022 e apurou que existem 10 companhias diferentes que devem assegurar ligações internacionais diretas a Ponta Delgada. Já para a Terceira, para o mesmo período, são três companhias.
Também estão previstas 22 origens internacionais diversas para Ponta Delgada, ficando-se o aeroporto das Lajes por cinco.

“Tinha toda a lógica que, pelo menos, a distribuição das ligações diretas internacionais à Terceira e a São Miguel correspondesse à distribuição de população”, criticou. “Qualquer pessoa (não residente) que queira vir para os Açores, não tendo uma ligação direta para a ilha de destino, terá de pagar mais cento e tal euros pela ligação inter-ilhas.

Até o conceito de hub fica completamente em causa, porque nem a distribuição acontece sem custos acrescidos”, disse Guido Teles. “É um erro completo uma estratégia de fixação de um hub único. Ainda mais grave e, na nossa perspetiva, catastrófico, é introduzir mais uma pedra na engrenagem”, conclui o vice-presidente.

A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, disse encarar a decisão com “algum lamento”.
“Na verdade, o que nós esperáva-mos era que pudéssemos dar continuidade ao bom reflexo que houve de turismo no verão passado, por toda a região e também na ilha Terceira”, disse.

Segundo Vânia Ferreira, “a forma como as coisas ficaram postas vem prejudicar a ilha Terceira”, sendo algo que a autarquia “não pode aceitar”. “Se fosse uma questão de cobrar uma taxa, de um valor que pensássemos irrisório, não seria significativo… Agora, quem esteja, por exemplo, no continente, pode optar por conhecer melhor outros sítios que não as ilhas dos Açores”, lamentou, criticando também o número de ligações para a Terceira.

Para Vânia Ferreira, este não pode ser um assunto fechado. “Tem de ser feita uma reflexão por parte do Governo Regional. Há formas de contornar esta situação, para não nos prejudicarmos. Toda a região está na expetativa do aumento do turismo e isto é um entrave e não uma alavanca”, defendeu a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

DIÁRIOINSULAR/RÁDIOILHÉU

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Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.