SÃO JORGE

CALHETA | Oficina infantil leva história da ilha aos mais novos na Manhã Infantil do Festival de Julho 2026

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“Pirata e Piratarias” foi o nome da oficina infantil que se estreou na Manhã Infantil do Festival de Julho, na Calheta. Uma iniciativa inédita, que reuniu vários grupos de crianças de diferentes pontos da ilha, promovendo não só a aprendizagem em torno da história local calhetense, como também o convívio e a partilha entre os mais novos.

A oficina foi muito além das habituais artes plásticas: deu também a conhecer aos mais pequenos a história do herói calhetense Simão Gato, bem como outros episódios ligados a piratas e corsários que, ao longo dos séculos, pilharam a ilha de S. Jorge — entre eles os “Barbudos”, na Fajã de São João.

Adaptada especialmente para um público infantil por Cecília Brasil, a história foi levada à cena através de uma dramatização lúdica, na qual as crianças participaram com enorme entusiasmo, sob a direção de Jorge Brasil, da freguesia de Santo Antão — um jovem que se tem vindo a destacar nas artes dramaticas —, com a colaboração de Carina Avelino.

Já a componente de artes plásticas esteve a cargo da própria Cecília Brasil, artista Jorgense mas residente no Reino Unido que assinou ainda a adaptação e escrita da história para o público mais novo.

Memória local e criatividade de mãos dadas

Segundo Cecília Brasil, este tipo de iniciativas assume uma importância que vai muito além do momento lúdico em si. Trazer para as crianças figuras e episódios da história ilhéu — como Simão Gato e outras incursões de piratas e corsários na ilha — permite reavivar memórias que permanecem no subconsciente ilhéu, não só através da língua, mas também de estruturas mais profundas da identidade coletiva. Promove-se, assim, um contacto precoce e afetivo com o património imaterial e com a memória da comunidade, ajudando a construir, desde cedo, um sentimento de pertença e identidade.

Mais do que memorizar factos, as crianças vivenciam a história: através da dramatização e das artes plásticas, tornam-se elas próprias intérpretes e criadoras, o que facilita uma aprendizagem significativa e duradoura. A expressão artística funciona, assim, como um verdadeiro veículo pedagógico. Para Cecília, este tipo de atividades não estimula apenas a criatividade, mas também a expressão oral e corporal, o trabalho em grupo e a autoestima, ao mesmo tempo que serve de ponte entre o passado da ilha e as gerações que hoje a habitam.

Ao unir teatro, artes plásticas e narrativa histórica, oficinas como esta reforçam o papel essencial que a cultura e a educação artística desempenham na formação das crianças, cultivando não só competências criativas, mas também um vínculo genuíno e duradouro com a terra, as suas gentes e as suas histórias.

Para Cecília, dado o envolvimento demonstrado pelas crianças, esta oficina ainda tem muito mais para oferecer, sendo já uma expectativa futura adaptá-la também a um público mais adulto.

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.