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ATUALIDADE | Fábricas de S. Jorge temem viabilidade devido à perda de leite

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Fábricas de Queijo de São Jorge têm receio de perder sustentabilidade face à perda de leite que se assiste neste ano. Inflação também é preocupação.

António Azevedo, presidente da Confraria do Queijo São Jorge, afirma que a perca de leite que se verifica este ano é uma situação preocupação, sendo que as fábricas começam a temer a sua viabilidade. Esta foi uma das principais preocupações levantadas na Mesa Redonda “O Queijo São Jorge e o futuro dos lacticínios dos Açores – Perspetivas”, que aconteceu sábado passado, durante o Festival do Queijo São Jorge.

“Em relação ao queijo de São Jorge, há uma situação que nos preocupa, que é a questão da perda de leite”, afirmou o responsável ao DI, considerando que a viabilidade das fábricas começa a ser posta em causa.
“Nós vamos perder, ao fim deste ano, 3,8 milhões de litros de leite, sendo que temos de recuperar, durante 2023, pelo menos dois milhões de litros de leite, para que as nossas três fábricas de São Jorge, da forma como estão idealizadas sejam viáveis”, explicou António Azevedo.

De acordo com o presidente da Confraria, o que se pretende é uma “valorização do queijo e, por sua vez, de valorização do leite ao produtor”, sendo este um “trabalho que está a ser feito junto das fábricas”. A inflação e a consequente falta do poder de compra dos consumidores são outras duas preocupações que se assinalaram no debate, ficando as vendas aquém daquilo que se pretende.

“O receio é com a inflação e com a perda do poder de compra por parte dos consumidores, para saber se vamos conseguir que esses produtos tenham o escoamento e as vendas que assim se deseja”, disse. No entanto, no que toca aos lacticínios dos Açores, António Azevedo frisa que “sabemos que os Açores têm produtos de um grande valor acrescentado” nesta área, e que “estão num momento muito propenso à questão da valorização, porque o mercado assim o está a permitir”, mas não deixa de ser um ponto “que nos obriga a todos a estar atentos”.

Outra das lacunas que foi apontada durante o debate “é a participação a nível nacional, pelo canal Horeca”, sendo este um “trabalho que a LactAçores em conjunto com a Uniqueijo tem de começar a fazer”, visto que é “um canal que nós não estamos muito presentes”. No que concerne ao evento, no geral, António Azevedo referiu que o “balanço é muito positivo” e que foram “três dias de atividades e bastante interessantes”, no seu ponto de vista.

“Percebemos que nós, como em tudo, temos ainda muito para fazer, como é óbvio. O objetivo também era esse, ou seja, tentarmos trazer pessoas de fora para dar contributos, porque muitas das vezes é preciso sair do nosso quadrado para podermos ver também do lado de fora, e foi exatamente isso que aconteceu”, reiterou o responsável.

O Festival do Queijo São Jorge aconteceu no fim de semana passado, de 25 a 27 de novembro, e para além da Mesa Redonda, contou dois Showcookings, um Rally Papper “Queijo Sob Rodas” e ainda com animação cultural.

DIÁRIOINSULAR/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o editor da Rádio Ilhéu.