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ATUALIDADE | José Manuel Bolieiro aponta “Autonomia do Conhecimento” como novo ciclo para os Açores

| Foto: MM
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O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu ontem que os próximos 50 anos da Autonomia açoriana devem abrir um “novo ciclo” assente no conhecimento, na qualificação, na inovação e na capacidade de transformar os recursos e as especificidades do arquipélago em oportunidades de desenvolvimento.

A mensagem foi deixada durante a sessão evocativa dos 50 anos da tomada de posse do I Governo Regional dos Açores, que decorreu no Salão Nobre do Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, precisamente meio século depois do momento fundador de 8 de setembro de 1976.

Para José Manuel Bolieiro, depois de cinco décadas em que a Autonomia permitiu aos Açores construir instituições próprias, aproximar a decisão política das populações e recuperar de atrasos históricos em áreas fundamentais, o desafio passa agora por acrescentar uma nova dimensão à capacidade de decidir e agir da Região.

“É aqui que começa o novo ciclo da nossa Autonomia Política. A Autonomia do Conhecimento”, afirmou.

O líder do executivo açoriano colocou as pessoas no centro desta visão para as próximas décadas, defendendo a necessidade de formar mais e melhor, reter o talento açoriano e, simultaneamente, criar condições para atrair novas competências para o arquipélago.

“Não há economia do futuro sem pessoas qualificadas. Não há inovação sem conhecimento. Não há desenvolvimento sem talento”, declarou.

Esta “Autonomia do Conhecimento”, sustentou, deverá ter expressão económica, cultural e social e permitir aos Açores produzir conhecimento mais qualificado, gerar inovação e transformar os ativos próprios da Região em novas oportunidades de progresso.

“Entre esses ativos está o mar. A dimensão oceânica do arquipélago”, defendeu, vincando que esta abre possibilidades na investigação científica, biotecnologia, monitorização dos oceanos, valorização sustentável dos recursos e economia azul, com potencial para gerar atividade económica e emprego qualificado.

A transição climática e energética, o digital e o espaço são outras áreas apontadas como decisivas para o futuro.

Num território descontínuo como os Açores, a tecnologia pode também ajudar a vencer distâncias, aproximar serviços, ligar empresas aos mercados e democratizar o acesso ao conhecimento.

“Afirmar os Açores como uma Região de conhecimento e de novas oportunidades. Um verdadeiro laboratório do futuro”, afirmou.

Na evocação dos 50 anos da tomada de posse do primeiro executivo açoriano, José Manuel Bolieiro recordou igualmente o caminho percorrido desde 1976 e o impacto da Autonomia na transformação económica e social das nove ilhas.

A construção de escolas, estradas, portos e aeroportos, o desenvolvimento de um sistema regional de saúde, a criação de serviços públicos e o reforço das ligações entre as ilhas foram apontados como expressão concreta da capacidade conquistada pelos açorianos para definirem as suas próprias prioridades.

“A Autonomia Política aproximou a decisão das pessoas”, lembrou.

O Presidente do Governo dos Açores prestou uma homenagem particular a João Bosco Mota Amaral, primeiro Presidente do Governo Regional dos Açores, destacando a sua “visão, determinação e coragem política” num período em que era necessário construir praticamente de raiz a governação autonómica.

José Manuel Bolieiro recordou que Mota Amaral e a “geração fundadora” perceberam que o futuro dos Açores exigia mais do que descentralização administrativa, exigia poder político democrático, instituições próprias e responsabilidade dos açorianos pelo seu desenvolvimento.

Cinquenta anos depois, o atual Presidente do Governo considera que essa responsabilidade passa por saber acrescentar futuro ao legado recebido.

“À nossa geração e às gerações vindouras cabe aprofundá-la através do conhecimento, da inovação e das oportunidades”, declarou.

José Manuel Bolieiro defendeu ainda uma Região que continue a exigir de Portugal e da União Europeia o “reconhecimento” e a compensação das limitações permanentes decorrentes da insularidade, dispersão e ultraperiferia, mas que seja igualmente capaz de afirmar aquilo que oferece ao País, à Europa e ao espaço atlântico.

O mar, a posição geoestratégica, o acesso ao espaço, a ciência, a capacidade de inovação e o conhecimento são, nesta perspetiva, ativos que permitem olhar para os Açores não apenas como uma Região marcada por necessidades, mas cada vez mais como “um território de oportunidades”.

A sessão evocativa contou também com uma intervenção de João Bosco Mota Amaral, figura central da construção da Autonomia e primeiro Presidente do Governo Regional dos Açores, que tomou posse há precisamente 50 anos.

Um dos momentos simbólicos da cerimónia foi a entrega de medalhas aos membros do I Governo Regional dos Açores, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Autonomia, reconhecendo o contributo daqueles a quem coube assumir as primeiras responsabilidades executivas da nova realidade político-administrativa açoriana.

As comemorações ficaram ainda marcadas pela inauguração da exposição “50 Anos da Tomada de Posse do I Governo Regional dos Açores”, instalada no Coro Baixo do Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, evocando o percurso iniciado a 8 de setembro de 1976.

Nota relacionada: Intervenção do Presidente do Governo

GRA/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.