ÚLTIMAS | José Manuel Bolieiro defende “autonomia do conhecimento” em aula aberta na Universidade da Madeira

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, lecionou hoje, na Universidade da Madeira, uma aula aberta sobre “Autonomia e Centralidade”, no âmbito do Mestrado em Educação e Desenvolvimento Comunitário, dirigido pela Professora Doutora Liliana Rodrigues.
José Manuel Bolieiro partiu da experiência autonómica dos Açores para uma reflexão mais ampla sobre a capacidade das regiões insulares para produzirem conhecimento, pensamento e decisão próprios, colocando em evidência uma dimensão que pode ser entendida como autonomia do conhecimento.
Uma autonomia que, nesta perspetiva, não se esgota na existência de órgãos de governo próprio ou na descentralização administrativa. Passa também pela capacidade de pensar o território a partir do próprio território, “produzir conhecimento” sobre as suas especificidades e participar, a partir das ilhas, na construção das respostas nacionais e europeias.
É neste contexto que José Manuel Bolieiro rejeita uma leitura das ilhas exclusivamente a partir da periferia ou das suas necessidades.
“As ilhas atlânticas, os Açores e a Madeira não são apenas regiões de necessidades de apoio para o seu desenvolvimento, mas também regiões de oportunidade para a dimensão atlântica de Portugal e da União Europeia”, afirmou.
Na aula dedicada à relação entre autonomia e centralidade, o Presidente do Governo dos Açores revisitou igualmente o percurso histórico que conduziu ao atual modelo autonómico, nascido de uma reivindicação de descentralização e de uma vontade de superar aquilo que descreveu como “abandono, isolamento e falta de compreensão da realidade atlântica” das populações insulares.
Neste sentido, a Universidade assume também particular importância enquanto espaço de conhecimento, reflexão crítica e produção de pensamento a partir das Regiões Autónomas. A autonomia do conhecimento permite contrariar a ideia de que a distância geográfica em relação aos grandes centros políticos e académicos corresponde necessariamente a uma posição periférica na produção de ideias.
A relação entre autonomia política, conhecimento e capacidade de decisão esteve, assim, no centro de uma reflexão que procurou colocar Açores e Madeira “não apenas como destinatários de políticas definidas nos centros de decisão, mas como territórios capazes de contribuir para a definição dessas mesmas políticas”.
O Presidente do Governo dos Açores salientou ainda que a defesa da autonomia implica uma atitude permanente perante tendências centralizadoras.
“Nós temos de ter todos os dias, em todas as circunstâncias, conquistadores contra o centralismo”, afirmou.
A aula aberta inseriu-se nas iniciativas do Mestrado em Educação e Desenvolvimento Comunitário da Universidade da Madeira, dirigido por Liliana Rodrigues, e proporcionou igualmente um espaço de aproximação e diálogo entre os dois arquipélagos portugueses.
No ano em que se assinalam os 50 anos da Autonomia, a sessão permitiu projetar o debate para além da dimensão político-administrativa: uma autonomia que é também capacidade de produzir conhecimento, formar pensamento crítico e colocar Açores e Madeira no centro da reflexão sobre o desenvolvimento das regiões insulares.
A sessão contou com a presença do Magnífico Reitor da Universidade da Madeira, Professor Sílvio Fernandes, da Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, e do Secretário Regional de Economia, José Manuel Rodrigues, bem como de deputados, representantes da comunidade académica e outras entidades. A participação de responsáveis políticos, académicos e institucionais sublinhou a relevância do debate em torno da Autonomia, do conhecimento e dos desafios comuns aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
GRA/RÁDIOILHÉU






