
Gastar dinheiro com salas de consumo assistido de droga, enquanto a raiz do problema – o consumo e os problemas inerentes – não é resolvida, é apenas atirar dinheiro para cima do problema e não resolvê-lo.
A deputada Hélia Cardoso falava a propósito de uma proposta do PAN, de “implementação de salas de consumo assistido de drogas” em Ponta Delgada, reconhecendo que há falhas na prevenção e, por isso, o tráfico avança. No entanto, instalar salas de consumo ou unidades móveis na maior cidade dos Açores não é solução.
A parlamentar lembrou uma visita feita pelos deputados da Sub-Comissão de Assuntos Sociais a uma sala de consumo assistido de droga no Casal Ventoso, em Lisboa, onde questionou os técnicos se poderia ser viável uma sala de consumo em Ponta Delgada, onde o consumo é feito por toda a cidade. A resposta foi negativa, explicando que “ali só funcionou porque o tráfico estava ali. O consumidor tem de consumir logo”.
Já relativamente à unidade móvel de consumo, “foi-nos dito que, por inerente limitação, só poderá levar dois a quatro utentes no máximo, o que não seria solução para o universo que temos”.
Em conclusão, a parlamentar indicou que “querer transpor para Ponta Delgada uma solução que resultou em determinada realidade e com características específicas, não é solução. Não vale a pena atirar dinheiro para o problema, para ficarmos de consciência tranquila. Será que resolvemos mesmo o problema da droga com isto?”, questionou.
Hélia Cardoso lembrou também que na visita ao Casal Ventoso foram detectados toxicodependentes a consumir ao ar livre porque “não aguentaram uma hora sem consumir”, indicando que essa vai ser sempre a vontade de quem consome.
Quem não ficou indiferente a este problema foi o líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco, que reconhece que o Estado falhou, principalmente na prevenção, mas garante que as salas de consumo assistido não são solução.
Primeiro, porque as sociedades não ficam mais seguras com estas salas de consumo, até porque depois de consumir, o toxicodependente vai querer comprar mais, vai voltar para a rua e até pode ir roubar para ter nova dose.
Depois, porque a saúde mental dos toxicodependentes também precisa de ser tratada, tal como a saúde pública, e não há sequer a possibilidade de internar compulsivamente uma pessoa que já não consegue tomar as suas decisões de forma clara.
José Pacheco incitou os outros grupos parlamentares a apresentarem números dos casos de sucesso das salas de consumo assistido e reconheceu que só funcionam, devido à envolvência e circunstâncias onde são instaladas. “É a mesma coisa que montar uma bomba de gasolina à porta de um stand de automóveis”, comparou.
O parlamentar acusou ainda o diploma de “demagogia barata”, questionando se os deputados querem uma sala de consumo assistido à porta de casa.
“Dizem que vão cuidar do consumo e da droga, mas não ouvi dizer que vão tratar. Não dizem para se pegar num toxicodependente e internar. Dizem é que os toxicodependentes são livres de consumir droga e a sociedade tem de arcar com as consequências”, concluiu José Pacheco.
O CHEGA foi o único partido a votar contra este Projecto de Resolução, que acabou aprovado por maioria.
CHEGA/AÇORES/RÁDIOILHÉU






