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AÇORES | A falta de investimentos no Serviço Regional de Saúde ao longo dos anos “tem consequências reais e graves”

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A falta de investimento na Saúde “tem consequências reais e graves”, disse hoje António Lima, no parlamento, num debate de urgência sobre a situação do hospital de Ponta Delgada, em que o deputado revelou a existência de documentos que já sinalizavam a necessidade de substituir o Sistema Automático de Deteção de Incêndios, e que determinavam a conclusão deste investimento até dezembro de 2023, meses antes do incêndio que obrigou ao encerramento total do hospital.

O baixo investimento é evidente nos últimos anos, já da responsabilidade do governo do PSD, CDS e PPM com o apoio do CH e da IL: basta salientar que, em 2023, dos 500 mil euros previstos no Plano de Investimentos da Região para o HDES foram executados apenas 200 mil euros, e o Plano para 2024 previa – antes do incêndio – apenas 500 mil euros.

O “Plano de Investimentos 2021/2023” e o “Plano de Negócios 2021” do Hospital de Ponta Delgada previam um investimento de 500 mil euros para a substituição do Sistema Automático de Deteção de Incêndios que devia ter ficado concluído em dezembro de 2023.

“Como é que o governo explica que não tenha sido executado este investimento?”, questionou António Lima. O Governo optou por não responder.

“A falta de investimento que temos apontado tem consequências reais e graves, como se vê”, concluiu o deputado do Bloco de Esquerda.

Em relação à situação da prestação de cuidados de saúde à população, que está muito condicionada devido às consequências do incêndio, o Bloco de Esquerda defende que a prioridade máxima deve ser a reabertura plena de todos os serviços para repor rapidamente o nível de resposta que havia antes do incêndio.

“Abrir o hospital em pleno é o que salva vidas e responde pela saúde dos Açores”, disse António Lima.

“Não conseguimos compreender como se pode dizer que estamos perante uma janela de oportunidade, como tem afirmado o governo. Nesta situação só conseguimos ver uma calamidade e a urgência em retomar a atividade do HDES o quanto antes”, afirmou o deputado do Bloco.

António Lima salientou que a secretária regional da Saúde não conseguiu explicar porque é que vão reabrir apenas duas salas do bloco operatório e não as seis existentes.

“Para colocar o HDES em pleno funcionamento exige-se saber que danos existiram em cada serviço do HDES”, mas no relatório do grupo de trabalho criado para avaliar esses mesmos danos “não há uma linha sobre o que impede a reabertura dos serviços que permanecem encerrados”.

Isto porque “a redução da capacidade de resposta atual do SRS é dramática” e “os sérios alertas da comissão de catástrofe do HDES têm de ser levados muito a sério”.

BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.