ATUALIDADE | 600 anos dos Açores – Arqueologia subaquática em Santa Maria identifica naufrágio inédito de 1894

Uma campanha de arqueologia subaquática em curso na ilha de Santa Maria, nos Açores, permitiu localizar e identificar um naufrágio até agora desconhecido do ponto de vista arqueológico: o da barca austro-húngara “Conte Igino L.”, perdida no porto da Maia a 12 de Janeiro de 1894, num acidente que causou a morte do seu contramestre. Foram igualmente georreferenciados e documentados os naufrágios históricos do “Velma” e do “Canarias”, contribuindo-se assim para documentar e proteger o património cultural subaquático da ilha.
A iniciativa nasceu de um contacto dos responsáveis pelas Comemorações dos 600 Anos da Descoberta dos Açores, que propuseram uma redescoberta simbólica de Santa Maria através do seu fundo do mar. A Estrutura de Missão do Governo Regional para essas comemorações, que entretanto entrou em vigor, lançou o desafio, e uma equipa da empresa de arqueologia Cota 80.86 associou-se às celebrações, associando a investigação e a valorização patrimonial às celebrações dos 600 anos.
A campanha articula a investigação histórica desenvolvida pela UNIDCOM/IADE – Unidade de Investigação em Design e Comunicação da Universidade Europeia – com os trabalhos de arqueologia subaquática realizados pela Cota 80.86. Esta colaboração permite relacionar as fontes documentais com os vestígios existentes no fundo do mar, reconstituindo episódios da história marítima de Santa Maria e identificando os locais onde se conservam os seus testemunhos materiais.
A ilha de Santa Maria conserva a memória de sucessivos naufrágios que testemunham a passagem de embarcações nas rotas entre a América e a Europa. Entre as perdas documentadas destacam-se cinco naus espanholas: a “La Concepción”, proveniente de Santo Domingo, em 1567; a “La Campechana”, em 1591; a “La Gracia de Diós”, vinda do México, em 1606; a “San Antonio y Buena Esperanza”, igualmente procedente do México, em 1633; e a “Nuestro Señor y San José”, oriunda de Tierra Firme, em 1706. Estes desastres inscrevem Santa Maria na história da Carrera de Indias e dos perigos enfrentados pelas embarcações espanholas no regresso à Europa, depois de longas travessias atlânticas, evocando a circulação dos tesouros americanos, nomeadamente do ouro e da prata que atravessavam o Atlântico nas frotas espanholas, conferindo particular interesse à investigação do património cultural subaquático de Santa Maria.
Entre os resultados até agora conseguidos, destaca-se a identificação do local do naufrágio da barca “Conte Igino L.”, uma embarcação austro-húngara ligada à história marítima da actual Croácia. A localização dos seus vestígios permite dar expressão material a um naufrágio conhecido até agora apenas através da documentação histórica e recuperar a memória dos seus tripulantes, incluindo o contramestre que perdeu a vida no desastre.
A campanha irá decorrer até dia 1 de novembro, contando com o imprescindível apoio logístico da Estrutura de Missão das comemorações para os 600 anos da Descoberta dos Açores e do Município de Vila do Porto, decorrendo em articulação com a Direção Regional da Cultura e a Capitania do Porto de Vila do Porto.
Os resultados serão apresentados publicamente, permitindo dar a conhecer os trabalhos realizados e o seu contributo para a história da ilha. As identificações agora alcançadas reforçam o interesse em dar continuidade à investigação, à salvaguarda e à valorização do património cultural subaquático de Santa Maria.






