ATUALIDADE | José Manuel Bolieiro destaca nova centralidade geoestratégica dos Açores no quadro da segurança e defesa do Atlântico

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu hoje, em Lisboa, que a atual conjuntura internacional reforça a centralidade geoestratégica do arquipélago e cria uma “oportunidade para afirmar os Açores” como uma “plataforma estratégica de Portugal, da União Europeia e da NATO”, onde segurança, defesa, inovação e desenvolvimento caminham lado a lado.
O líder do executivo açoriano participou no seminário “A nova centralidade dos Açores: Perspetiva estratégico-militar”, promovido pelo Instituto Universitário Militar, onde apresentou uma comunicação subordinada ao tema “Relações com os sistemas de segurança e defesa na Região Autónoma dos Açores”.
José Manuel Bolieiro enquadrou a crescente importância do Atlântico Norte no contexto da reconfiguração da arquitetura internacional de segurança, marcada pelos conflitos em curso e pela necessidade de proteger infraestruturas críticas, cadeias logísticas, rotas marítimas, fluxos energéticos e comunicações digitais.
“Os Açores deixaram de ser percebidos como periferia para serem reconhecidos como um ponto de gravidade atlântico, essencial para a segurança e a resiliência da Europa e da comunidade transatlântica”, afirmou.
O Presidente do Governo dos Açores sublinhou que a posição geográfica do arquipélago, situado no cruzamento das principais rotas marítimas e aéreas entre a Europa, a América e África, associada à sua vasta dimensão marítima e ao papel crescente no domínio espacial, confere aos Açores uma “relevância estratégica” sem paralelo no espaço português.
Neste contexto, destacou a responsabilidade acrescida da Região na vigilância de uma subárea da Zona Económica Exclusiva com cerca de um milhão de quilómetros quadrados, na proteção dos cabos submarinos que asseguram uma parte significativa das comunicações transatlânticas e na salvaguarda das infraestruturas críticas marítimas.
José Manuel Bolieiro defendeu, por isso, uma estratégia assente no desenvolvimento de capacidades de duplo uso, colocando os investimentos em segurança e defesa ao serviço da proteção do território, da economia azul, da inovação tecnológica e da criação de emprego qualificado.
“Queremos posicionar os Açores como uma plataforma estratégica de Portugal, articulando defesa, inovação, resiliência e desenvolvimento económico, transformando a nossa localização geográfica numa vantagem competitiva para a Região e para o País”, sustentou.
O governante açoriano destacou ainda o papel de infraestruturas como a Base das Lajes, na ilha Terceira, o cais NATO de Ponta Delgada, a futura Zona Livre Tecnológica da Horta e o porto espacial de Santa Maria, considerando que estas valências reforçam a capacidade dos Açores para apoiar operações de segurança e defesa, desenvolver tecnologia de ponta e consolidar o posicionamento da Região nos setores marítimo e espacial.
José Manuel Bolieiro defendeu igualmente o reforço da vigilância marítima, da proteção das infraestruturas críticas e do conhecimento situacional do espaço marítimo, bem como uma cooperação cada vez mais estreita entre a Região, a República, a NATO e a União Europeia, conciliando soberania, segurança, sustentabilidade e desenvolvimento.
“A nossa posição geográfica deve traduzir-se em mais segurança, mais resiliência e mais futuro. Queremos que os Açores sejam reconhecidos como uma plataforma avançada de capacidades de duplo uso e um território de referência para políticas que unem segurança marítima, inovação tecnológica, economia azul sustentável e coesão territorial”, concluiu.
GRA/RÁDIOILHÉU






