ATUALIDADE | PS/Açores denuncia falta de transparência na reestruturação da SATA e acusa Governo de faltar à verdade sobre acordo com Bruxelas

O Presidente do PS/Açores, Francisco César, manifestou hoje uma “reforçada preocupação” relativamente ao processo de reestruturação da SATA, considerando que, desde o seu início em 2022, tem sido “tudo menos transparente”.
Após reunir com o SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, em Ponta Delgada, o líder dos socialistas açorianos afirmou que se confirmam as dúvidas que o PS já vinha levantando: “Aquilo que era proposto fazer e que a Comissão Europeia obrigava a ser feito, não foi absolutamente nada feito.”
Francisco César elencou vários dos compromissos assumidos no âmbito do plano de reestruturação que, segundo afirma, não foram cumpridos. “O objetivo era diminuir prejuízos, os prejuízos aumentaram. Havia um objetivo de não aumentar o número de trabalhadores, o número de trabalhadores aumentou. Havia um objetivo de não aumentar a massa salarial, a massa salarial foi aumentada. Havia a proibição de aumentar o número de aviões, e o número de aviões foi aumentado”, apontou.
“Foi-nos sempre dito que estava tudo bem, que estava tudo muito melhor e que tudo isto era um sucesso desta governação e das várias administrações. Aquilo que verificamos é que isso não é verdade”, sublinhou.
O Presidente do PS/Açores foi ainda mais longe, acusando o Governo Regional de ter mentido sobre o alegado acordo com a Comissão Europeia para o alargamento do processo de privatização por mais um ano.
“O Governo faltou à verdade. Faltou à verdade à Comunicação Social quando disse que estava tudo combinado com a Comissão Europeia. Depois já não estava, eram apenas técnicos. Depois afinal seria a própria Comissão Europeia. E o que percebemos é que nada disso estava acordado”, afirmou.
Segundo Francisco César, Bruxelas não só não tinha autorizado previamente a prorrogação, como aplicou uma penalização de cerca de três milhões de euros à empresa pelo incumprimento das obrigações, limitando-se a prolongar o prazo por mais um ano.
O líder socialista questionou ainda o paradeiro das “40 medidas de reestruturação” anunciadas para este Conselho de Administração. “Digam uma que esteja a ser realizada”, desafiou, acrescentando que os dados conhecidos indicam que “não só não está a correr melhor, como, em muitos casos, está a correr pior”.
Francisco César alertou também para o clima de instabilidade interna na empresa. “Estão a dividir os trabalhadores. Os serviços partilhados passam para a holding, o handling está a ser dividido, há trabalhadores que não sabem onde ficam. Reina o caos total”, denunciou.
Relativamente à opção do Governo por uma venda direta da Azores Airlines, o Presidente do PS/Açores questionou a coerência do executivo: “Se a venda direta era a melhor solução, por que razão não começaram por aí?”
Além disso, advertiu que a venda direta enfrenta o mesmo obstáculo que inviabilizou o anterior processo: o perdão da dívida. “Sempre nos foi dito que o perdão da dívida era uma ajuda de Estado, e foi esse um dos motivos para rejeitar o consórcio. Se era ajuda de Estado antes, continua a ser agora. O problema mantém-se. E que resposta tem o Governo para isso?”
Para Francisco César, o que é agora indispensável é “transparência no processo, diálogo com os trabalhadores, esclarecimento à sociedade civil e também aos partidos políticos que querem ajudar”.
“O que os açorianos exigem é verdade, responsabilidade e soluções concretas para salvar a empresa. O que não podem continuar a ter é propaganda e contradições”, concluiu.
PS/AÇORES/RÁDIOILHÉU






