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AÇORES | IL diz que contribuintes açorianos não têm de financiar Sociedades Anónimas Desportivas

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O Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Pedro Ferreira, afirmou, esta quarta-feira, que a Região “não tem de financiar Sociedades Anónimas Desportivas” com apoios como os que são atribuídos ao abrigo da “Palavra Açores”, justificando que “os contribuintes açorianos não são investidores de capital de risco”.

Num debate de urgência sobre o fim dos apoios no âmbito do regime de financiamento público de iniciativas com interesse para a promoção do destino turístico Açores e dos apoios aos clubes desportivos para promoção turística no âmbito da Palavra Açores, Pedro Ferreira defendeu uma “reforma profunda” do modelo de apoio ao associativismo desportivo, mas traçou linhas vermelhas.

“Se o Governo quer reformar o modelo, estamos disponíveis para contribuir. E para que não sobrem dúvidas, a posição da Iniciativa Liberal é clara: Devemos mitigar os custos estruturais da insularidade; devemos apoiar o associativismo desportivo; devemos exigir retorno económico e social mensurável; devemos garantir previsibilidade. Mas devemos também traçar limites. Uma coisa é apoiar clubes, associações, atletas, formação e coesão territorial. Outra, bem distinta, por sinal, é financiar Sociedades Anónimas Desportivas que assumem, legitimamente, um modelo empresarial com fins lucrativos. E quem opta por uma estrutura empresarial deve assumir o risco empresarial”, disse.

O Deputado liberal foi crítico da forma como o Governo Regional conduziu todo o processo relativo aos apoios da “Palavra Açores”, afirmando que “todo o processo de avanços e recuos do Governo revelou um problema maior do que o próprio modelo de financiamento ao desporto: revelou imprevisibilidade governativa”.

“Nunca escondi, pessoal e politicamente, a minha crítica à génese deste modelo. Sempre defendi que misturar promoção turística com financiamento desportivo criava opacidade e ausência de critérios objetivos. De facto, o modelo de financiamento ao desporto regional precisa de reforma. Mas reformar não é cortar primeiro e pensar depois. Reformar é planear, envolver os agentes, criar estabilidade plurianual e introduzir métricas claras de retorno. Reformar é corrigir distorções, introduzir exigência, separar claramente políticas públicas e interesses privados”, sublinhou.

“Se o modelo fosse sólido, não teria sido anunciado o seu fim de forma abrupta. Se o anúncio tivesse sido ponderado, não teria sido necessário recuar. O que assistimos foi a um anúncio intempestivo, seguido de contestação generalizada e de um recuo estratégico. Em síntese, somos forçados a constatar que temos um Governo amador, com um péssimo sentido de comunicação. Primeiro diz; depois, desdiz”, acrescentou.

Recuo terá sido medo de ameaças?

Neste processo de avanços e recuos, Pedro Ferreira apontou à tutela do Desporto na Região para advertir que “os contribuintes açorianos não são alvo para as chantagens de empresários que investem em clubes desportivos”, rematando que “os contribuintes açorianos não querem sequer que lhes passe pela cabeça que este recuo do Governo Regional se ficou a dever às ameaças proferidas em português do Brasil feitas por alguns empresários que investem em clubes desportivos”.

Para a IL/Açores “o problema que este episódio revelou não é apenas o modelo de apoio”, é antes “a forma como se governa”, reforçando que “um clube açoriano em competição nacional representa dezenas de jogos por época, milhares de dormidas, deslocações regulares à Região, exposição mediática contínua durante meses”, factos que têm “impacto económico real” e “impacto social”, pois “cria referências, cria ambição e cria objetivos para os jovens”.

Por outro lado, reforçou o parlamentar que está em substituição do Deputado Nuno Barata, “se os clubes açorianos deixarem de competir nos nacionais, não estamos apenas a perder visibilidade”, considerando que a Região fica “a perder massa crítica, dirigentes voluntários, formação e uma geração inteira de atletas sem horizonte competitivo claro. E isso empobrece a Região”.

Para os liberais, “os Açores não são periféricos no talento, no esforço ou na ambição”, são-no apenas “na geografia”, pelo que “a política pública deve ser inteligente, estratégica e responsável”.

É que, finalizou Pedro Ferreira, “os Açores ganham quando competem, ganham quando projetam talento, ganham quando investem com critério, o que não podem é recuar por falta de visão”.

IL/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.