
O Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, presidiu na quinta-feira à sessão de abertura da IV Edição do Festival das Reservas da Biosfera de Portugal, que decorre na ilha do Corvo, até 29 de março, destacando a importância deste evento na promoção de territórios sustentáveis e na valorização do património natural, cultural e humano.
Segundo o governante, trata-se de um evento que “se tem vindo a afirmar como uma referência na promoção de territórios sustentáveis e na valorização do património natural, cultural e humano, a nível nacional”.
“Esta quarta edição, realizada no Corvo, assume um significado particularmente especial, uma vez que encerra um ciclo iniciado há quatro anos nos Açores, com o objetivo de dar visibilidade às quatro Reservas da Biosfera da Região”, continuou.
“Este festival tem trilhado um percurso de sucesso nos Açores, com a realização da primeira edição na ilha Graciosa, em 2023, tendo tido continuidade nas Fajãs de São Jorge, em 2024, e migrando para as Flores em 2025, sendo agora com especial entusiasmo que acolhemos esta quarta edição na ilha do Corvo”, afirmou.
Alonso Miguel recordou que “o Corvo foi reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2007, sendo, a par da Graciosa, a segunda Reserva da Biosfera mais antiga de Portugal, sublinhando que se trata de um território pequeno em dimensão, mas extraordinariamente rico do ponto de vista natural, cultural e social”.
“O Corvo encerra um território pequeno em área emersa, mas enorme do ponto de vista da riqueza do seu património natural, cultural e social”, afirmou, acrescentando que “a ilha, com apenas 17,1 km², apresenta uma rara beleza paisagística, marcada pela imponência do Caldeirão e pela concentração de ecossistemas de elevado valor ecológico”.
O governante destacou também a forte dimensão cultural da ilha e a capacidade da comunidade local em preservar tradições e práticas culturais únicas, referindo que o Corvo constitui “um dos exemplos mais expressivos da relação harmoniosa entre o homem e a natureza”.
“Trata-se de uma comunidade que soube resistir, ao longo do tempo, às agruras inerentes a uma realidade de ultraperiferia extrema e adaptar-se a cada novo desafio, assegurando um equilíbrio entre conservação, identidade cultural e desenvolvimento sustentável”, frisou.
Alonso Miguel salientou ainda que “o Festival das Reservas da Biosfera não se limita à programação da ilha anfitriã, contando também com eventos-espelho promovidos nas restantes Reservas da Biosfera do país, incluindo as dos Açores, reforçando o espírito de cooperação e de trabalho em rede”.
Durante a sua intervenção, o Secretário Regional frisou “o extraordinário património natural dos Açores e o reconhecimento internacional que a Região tem vindo a alcançar, lembrando que quatro ilhas açorianas são classificadas como Reservas da Biosfera”.
O governante destacou ainda outras distinções relevantes, como “a classificação de 41 áreas no âmbito da Rede Natura 2000, a designação de 13 sítios RAMSAR, o reconhecimento das Terras do Priolo com a Carta Europeia de Turismo Sustentável, a classificação das ilhas do Triângulo como Bio Região e a integração do Geoparque Açores na Rede Mundial de Geoparques da UNESCO”.
“Na realidade, os Açores são uma das poucas regiões do mundo designadas como MIDAS – Multi-Internationally Designated Areas, que concentram, simultaneamente, sítios Ramsar, Sítios Património Mundial da Humanidade, Reservas da Biosfera e geoparques mundiais da UNESCO”, continuou.
Alonso Miguel lembrou a certificação dos Açores como primeiro arquipélago do mundo classificado como Destino Turístico Sustentável pela EarthCheck, atualmente já com certificação de nível ouro.
“Todas estas distinções fortalecem uma imagem de marca de sustentabilidade, que é cada vez mais procurada e valiosa, representando um extraordinário ativo turístico e um catalisador do desenvolvimento económico e social da Região”, afirmou.
Contudo, o governante alertou também para a responsabilidade coletiva de proteger e valorizar este património natural.
“Todo este património tem tanto de valioso como de frágil, pelo que sobre nós recai a enorme responsabilidade, coletiva e individual, de garantir a sua proteção e valorização, num processo contínuo que exige reflexão e adaptação constante a novos desafios”, sublinhou.
Neste contexto, Alonso Miguel destacou o trabalho desenvolvido pelo Governo dos Açores na preservação e valorização do património natural, nomeadamente através da criação da Rede Regional de Áreas Protegidas, dos Parques Naturais de Ilha, da Rede Regional de Centros de Interpretação Ambiental e da implementação de diversos instrumentos de gestão territorial.
O governante referiu ainda que “cerca de 45% do território terrestre da ilha do Corvo está integrado no Parque Natural de Ilha, evidenciando a importância da conservação do património natural local, bem como o papel das comunidades locais na gestão das Reservas da Biosfera”.
“As Reservas da Biosfera são territórios dinâmicos, com comunidades reais, histórias profundas e um potencial extraordinário de desenvolvimento sustentável. No fundo, a Reserva da Biosfera somos todos nós”, afirmou.
Nesse sentido, deixou um apelo “a todos os parceiros da Reserva da Biosfera do Corvo, desde a Câmara Municipal aos serviços do Governo Regional, empresas públicas, grupos de ação local e organizações não governamentais de ambiente, para que continuem empenhados na gestão e promoção deste território”.
“Ao longo dos próximos dias, o festival contará com um programa diversificado e participativo, que inclui percursos interpretativos, eventos desportivos, momentos musicais, cinema, palestras, iniciativas de educação ambiental dirigidas a crianças e jovens, bem como uma visita à Reserva da Biosfera das Flores”, esclareceu.
E concluiu: “Mais do que uma celebração, este festival pretende ser uma plataforma de diálogo, de ação e de compromisso para com um modelo de desenvolvimento sustentável, contribuindo para reforçar o sentimento de pertença das comunidades às Reservas da Biosfera, distinção que é motivo de enorme orgulho para todos os açorianos”.
GRA/RÁDIOILHÉU






