
A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, afirmou, numa conferência em Ponta Delgada, que “o mar é um elemento estruturante do território, da economia e da cultura açoriana, e constitui um dos pilares mais relevantes da oferta da Região enquanto destino turístico”.
A governante falava na sessão de abertura da primeira edição da Azores Wave Conference, uma iniciativa do Movimento “Save Azores Waves”, que decorreu na Universidade dos Açores – na sessão esteve também presente o Secretário Regional do Mar e das Pescas, Mário Rui Pinho, e o Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro.
Para Berta Cabral, este encontro representou “uma enorme oportunidade e um contributo estratégico, ao reunir pessoas de contextos tão diversos para debater um tema absolutamente estrutural para a Região: o mar”.
Segundo a governante, o reconhecimento internacional dos Açores como Destino Turístico Sustentável – Nível Ouro, grau II “não é fruto do acaso”, mas sim “o resultado de um trabalho consistente e exigente de planeamento, de gestão e de envolvimento das comunidades”.
E reforçou: “Este reconhecimento traduz uma visão muito clara: o turismo só é verdadeiramente bem-sucedido se respeitar os recursos naturais, valorizar as pessoas e garantir benefícios duradouros para o território”.
Berta Cabral sublinhou que o desenvolvimento sustentável “não é um fim em si mesmo, mas um processo contínuo, que exige evolução e capacidade de adaptação, algo intrínseco à natureza humana”.
Nesse âmbito, destacou o papel central do mar no Turismo de Natureza, produto estratégico prioritário definido no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo da Região para 2030.
“As nossas paisagens costeiras, a biodiversidade marinha, a qualidade ambiental e a autenticidade das experiências que oferecemos são ativos distintivos que nos responsabilizam ainda mais na sua utilização e proteção”, afirmou, sublinhando que os Açores possuem “um percurso singular e exemplar” neste domínio.
A governante recordou ainda “a transição histórica da caça à baleia – uma atividade extrativa – para a observação de cetáceos – uma atividade sustentável –, que constitui um dos maiores sucessos da Região, do qual nos devemos orgulhar e que deve ser destacado de forma enfática”.
Para Berta Cabral, este exemplo “demonstra como é possível reconverter práticas económicas, proteger o património natural, gerar valor, criar emprego qualificado e alcançar notoriedade internacional”.
A Secretária Regional lembrou que o mar, enquanto elemento estruturante da proposta de valor do turismo açoriano, vai muito além das atividades náuticas e de lazer – a titular da pasta destacou as Rotas temáticas que interpretam a história, a cultura e a identidade marítima das ilhas, como a Rota da Baleação, que integra não apenas o legado da antiga indústria baleeira, mas também a valorização das tradições, das comunidades piscatórias, dos homens do mar e da construção naval.
A governante indicou igualmente que esta abordagem integrada será reforçada com a estruturação da futura Rota da Expansão Marítima, que evidenciará a relevância estratégica dos Açores ao longo da História de Portugal.
No contexto da valorização do mar enquanto ativo turístico, Berta Cabral considerou que o surf — entre outras modalidades — se afirma cada vez mais como atividade desportiva e produto turístico de crescente importância para a Região.
A governante concluiu sublinhando que o Governo Regional “continuará empenhado em promover políticas públicas que conciliem turismo, desporto, ambiente e ordenamento do território, assentes na sustentabilidade, na ciência e na participação”.
E rematou: “É com esta matriz de pensamento que acreditamos que tudo o que envolve o mar é fundamental para alcançarmos o objetivo de ter turismo todo o ano e em todas as ilhas”.
GRA/RÁDIOILHÉU






