ÚLTIMAS | António Ventura faz balanço da época venatória e destaca gestão sustentável das espécies e reforço de fiscalização

O Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, divulga o balanço final da época venatória 2025/2026 – a apresentação dos dados decorreu no âmbito de uma visita ao Posto Cinegético da Chã da Macela, no concelho da Lagoa.
Para o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, os resultados evidenciam “uma gestão responsável e sustentável dos recursos naturais, marcada pela normalidade das atividades, pela segurança e pela fiscalização reforçada”.
Este balanço reflete a atividade cinegética desenvolvida em todas as ilhas do arquipélago, com a aplicação de níveis de pressão ajustados à realidade populacional e às especificidades de cada território.
Embora a pressão de caça se tenha mantido globalmente semelhante à da época anterior, o Governo Regional aplicou ajustes cirúrgicos fundamentados tecnicamente – o aumento dos dias de caça ao coelho-bravo nas ilhas de São Miguel, Faial e Flores, justificado pelos elevados níveis de abundância da espécie, e a interdição da caça à narceja-comum nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial, em resposta ao declínio observado nas populações nidificantes.
Até ao final da época, a Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial emitiu 2.011 licenças de caça, correspondendo a 1.896 caçadores distintos.
Deste total, 1.905 licenças foram atribuídas a residentes e 106 a não residentes, mantendo a média da última década.
A ilha de São Miguel concentrou o maior número de licenças (924), seguindo-se a Terceira (371), Faial (162), Pico (138), São Jorge (117), Santa Maria (83), Flores (69) e Graciosa (41).
A atratividade para caçadores não residentes foi particularmente relevante no Pico (23,2% das licenças), São Jorge (18,%), Graciosa (9,8%) e Terceira (9,4%).
Entre 1 de julho de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, os Serviços Florestais realizaram 218 ações de fiscalização, num total de 1.087 horas de operação e 770 abordagens no terreno.
Registaram-se apenas oito infrações (sobretudo relacionadas com horários interditos, falta de documentação e caça em áreas proibidas), o que demonstra um elevado cumprimento das regras por parte dos praticantes.
Durante estas ações, foram inquiridos 421 caçadores (22,2% dos habilitados nesta época), a maioria revelou-se satisfeita com o atual modelo: 60,1% consideram que os períodos de caça devem manter-se e 74,9% defendem a manutenção dos limites diários de abate.
Nos próximos meses, o Governo dos Açores irá analisar os indicadores de monitorização das populações, o resultado dos abates e os pedidos de correção de densidade.
Estes dados científicos, aliados ao diálogo com organizações de caçadores, agricultores e entidades ambientais, servirão de base para o calendário da época 2026/2027, que inicia a 1 de julho.
“O trabalho conjunto entre caçadores, técnicos e entidades parceiras está a fortalecer a resiliência do território e a preparar as ilhas para os desafios futuros”, afirma António Ventura.
O governante conclui reiterando que “o compromisso e o respeito pela natureza continuam a ser a base para garantir ecossistemas equilibrados e uma atividade venatória alinhada com a sustentabilidade”.
GRA/RÁDIOILHÉU






