ÚLTIMAS

TERCEIRA | Chega. Onde estão os benefícios da Base das Lajes para os Açorianos?

87views

O CHEGA trouxe hoje à Assembleia Legislativa Regional um debate de urgência sobre a Base das Lajes e as contrapartidas para a Região, numa altura em que “o mundo mudou” e o Atlântico voltou a ganhar importância estratégica. “E quando o Atlântico volta a ser central, os Açores voltam a estar no centro do mapa”, afirmou o líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco.

Essa centralidade e importância estratégica impõe várias questões: “estratégicos para quem? Estratégicos para os Estados Unidos? Estratégicos para a NATO? Estratégicos para as grandes potências?”, questionou. É que para além destes beneficiários os Açores também têm de ser estratégicos para os Açorianos. “Porque aquilo que não podemos aceitar é que os Açores sejam estratégicos para o mundo, mas continuem periféricos nas decisões que os afectam”, reforçou o parlamentar.

Até porque, indicou, a redução de efectivos militares norte-americanos na Base em 2015, marcou profundamente a economia da Terceira e dos Açores. Depois de muitas promessas de compensações e de investimentos, de onde resultou o anunciado Plano de Recuperação para a Ilha Terceira – o PREIT – “os Terceirenses continuam à espera” essas promessas. E também da descontaminação dos solos, cuja contaminação com substâncias químicas foi o resultado de décadas de operações militares e continua sem ser feita.

José Pacheco lançou também outras questões para o debate, nomeadamente a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), que nasceu em 1985 no contexto da cooperação entre Portugal e os Estados Unidos associada à Base das Lajes. “Começou com cerca de 85 milhões de capital e, hoje, o seu património ronda aproximadamente 150 milhões de euros, distribuindo normalmente apenas alguns milhões por ano em programas e projectos” e aqui surgem novas perguntas. “Quanto desse impacto chegou verdadeiramente aos Açores?”, questionou.

Uma Fundação sedeada em Lisboa, que, neste momento, “está de costas voltadas para os Açores e que apenas investe em arte e tem dinheiro no banco”.

Há ainda a situação dos trabalhadores portugueses a trabalhar para as Forças Armadas americanas que recebem abaixo do salário mínimo nacional e cuja situação precisa de ser resolvida com “justiça e respeito. Quem trabalha nas Lajes merece estabilidade e condições dignas”.

José Pacheco incidiu depois a sua intervenção nas contrapartidas militares que outros partidos aliados dos Estados Unidos da América têm beneficiado, por acolherem bases militares americanas. “Em países como Alemanha, Espanha ou Itália, a presença de bases militares foi acompanhada por investimentos significativos nas regiões onde essas bases se encontram. Infraestruturas modernizadas. Impacto económico directo. Desenvolvimento regional. E por isso a pergunta impõe-se: porque é que Portugal nunca negociou contrapartidas dessa dimensão para os Açores?”, questionou.

“Se os Estados Unidos têm tanto interesse neste porta-aviões no Atlântico, porque não termos parcerias na fiscalização do nosso mar – por exemplo para o combate ao tráfico de drogas que temos assistido a acontecer cada vez mais nos nossos mares – por que razão não exigimos isso? O que temos recebido dos Estados Unidos é mera sucata militar”, reforçou José Pacheco.

Aquilo que o CHEGA defende é simples: “é necessária clareza sobre o futuro da Base das Lajes. É necessário garantir contrapartidas reais para os Açores. E é necessário aproveitar plenamente o potencial logístico da infraestrutura existente”.

É que as infraestruturas estão criadas – “a Base das Lajes tem pista, tem localização e tem capacidade” – e pode ser uma verdadeira plataforma Atlântica de logística e desenvolvimento económico. “Mas para isso é preciso visão política. Porque os Açores já provaram muitas vezes o seu valor estratégico. Agora é tempo de garantir que esse valor também se traduz em desenvolvimento para os Açorianos”, concluiu o CHEGA.

CHEGA/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.