
O Grupo Parlamentar do Partido Socialista alertou hoje para a ausência de uma estratégia coerente do Governo Regional para o desenvolvimento económico da ilha do Faial, sublinhando que os empresários estão a ser penalizados por decisões políticas erradas, atrasos nos investimentos e falta de respostas concretas em áreas estruturantes como o turismo, os transportes, o porto da Horta e os apoios públicos.
No final de uma reunião com a Câmara do Comércio e Indústria da Horta, o Vice-Presidente do GPPS/Açores, Lúcio Rodrigues, afirmou que “há uma enorme distância entre a propaganda do Governo e a realidade vivida diariamente por quem investe, cria emprego e sustenta a economia da ilha”, sublinhando que 2026 “não pode continuar a ser vendido como um ano de maravilhas quando os problemas estruturais se agravam”.
Uma das principais preocupações prende-se com o turismo, onde se verificam falhas graves nos transportes aéreos, no acolhimento e na capacidade instalada. “Tivemos um verão IATA marcado por bagagens perdidas e cancelamentos que, ao deixarem pessoas retidas na ilha sem qualquer planeamento, criam dificuldades acrescidas na resposta do alojamento e da restauração. Isto não promove o Faial, nem os Açores”. Um turista que tem uma má experiência não regressa”, alertou Lúcio Rodrigues, acrescentando que “não se trata de problemas operacionais, mas de decisões políticas erradas e de uma estratégia que não funciona”.
Também o Porto e a Marina da Horta estiveram em destaque, com o PS a lembrar que, cinco anos depois de existir um projeto de reformulação, nada foi concretizado. “A Marina bate recordes, com cerca de 1500 embarcações por ano, mas as condições continuam deficientes, há falta de espaço para as empresas, o pavimento está degradado e as infraestruturas precisam de manutenção urgente”, apontou o deputado socialista.
A reunião permitiu ainda identificar preocupações sérias ao nível das exportações, nomeadamente no setor das pescas, com a imposição de novos procedimentos sem informação nem planeamento, que obrigam os empresários a recorrer a soluções mais caras e menos eficientes. “São decisões tomadas sem estratégia e sem acautelar os impactos, e quem paga são sempre os empresários”, criticou.
O socialista manifestou igualmente preocupação com os atrasos nos pagamentos de apoios públicos, incluindo verbas ainda em falta desde a pandemia e situações como os prejuízos causados pela tempestade Hipólito, estimados em cerca de 60 mil euros, que continuam sem resposta. “O PRR pode estar a andar nos papéis, mas no terreno os pagamentos atrasam-se e isso cria enormes dificuldades às empresas”, frisou.
No plano das acessibilidades, os socialistas lembram que o Faial perdeu voos desde a saída da TAP e que nunca se concretizou o prometido regresso aos 14 voos semanais. “Chegámos a estar na iminência de ficar com apenas nove voos no verão. Precisamos de mais voos e, sobretudo, de melhor qualidade no serviço”, defendeu Lúcio Rodrigues.
Para o PS/Açores, o problema central é a falta de uma visão integrada para o desenvolvimento do Faial e da Região. “Não podemos continuar no silêncio confortável enquanto se agravam os problemas. O turismo é importante, cresceu muito, mas é precisamente por isso que temos de corrigir o que está mal. E isso só se faz com política séria, planeamento e responsabilidade”, afirmou.
Por fim, os deputados do Partido Socialista alertam para o sentimento de abandono das instituições locais e dos profissionais que asseguram serviços essenciais. “Não é aceitável que instituições que prestam serviços públicos tenham de estar constantemente a pedir ao Governo aquilo que é obrigação do próprio Governo. Temos de respeitar quem trabalha todos os dias pelas nossas comunidades”, concluiu Lúcio Rodrigues.
GPPS/AÇORES/RÁDIOILHÉU






