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REGIÃO | Nuno Barata alerta para fundos europeus destinados ao Desporto que não são aproveitados nos Açores

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O Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Nuno Barata, afirmou, esta terça-feira, que os clubes e associações desportivas dos Açores “podem e devem” recorrer a fundos comunitários para financiamento de muitas das suas atividades e organizações, lamentando que os sucessivos governos regionais não ajudem o movimento associativo desportivo a diversificar as suas fontes de financiamento.

Num debate sobre a política desportiva na Região, que abriu o primeiro plenário parlamentar do novo ano, Nuno Barata referiu que “a União Europeia reserva mais dinheiro para o desporto e para a prática da atividade física, do que tem para o setor das pescas”, referindo que importa ajudar clubes e associações a diversificar as suas fontes de financiamento.

“Há outras formas de financiamento que não seja apenas recorrer ao Orçamento da Região Autónoma dos Açores. O Orçamento da Direção Regional do Desporto, perdoem-me se for excessivo, reserva para aí 90% só para pagar passagens de avião, alojamentos e alimentação de atletas, mais a manutenção de uns equipamentos que estão profundamente necessitados”, disse. 

Neste sentido, acrescentou o liberal, “existem eventos que podem ser financiados diretamente pela União Europeia, mas as associações, os clubes, os atletas, não sabem e muitos estão particularmente habituados a bater na porta da Direção Regional do Desporto para pedir um subsídio, em vez de irem à procura dessas fontes de financiamento. Quantos eventos na Região para jovens já foram financiados, por exemplo, pelo programa europeu ERASMUS + Sport? Que eu saiba nenhum. O instrumento está aí, ao dispor de todos os europeus, desde 2021, para intercâmbios desportivos, juvenis, entre atletas, clubes e associações da União Europeia, mas ninguém recorre a este financiamento”. 

Quadros competitivos desajustados

Durante o debate, o Deputado da IL não deixou de alertar para a realidade de vários quadros competitivos desajustados, exemplificando com o que designou de “espécie de elefante no meio da sala, que ninguém quer ver, ou melhor, eu acho que toda a gente já viu, toda a gente quer acabar com ele, toda a gente acha que ele tem que ser repensado, reformulado e completamente diferente, mas ninguém tem a coragem de dizer”, que é o Campeonato de Futebol dos Açores. 

“Todos nós já pensámos nesse problema, todas as pessoas que se preocupam minimamente com o desporto, nomeadamente com o futebol federal e o Campeonato de Futebol dos Açores, já perceberam que aquilo não funciona. Não é preciso pensar muito mais, é preciso é tomar uma decisão, ter uma atitude proactiva neste processo. E aí, cabe ao Governo Regional, obviamente em cooperação com as associações, tomar a dianteira deste processo”, até porque, rematou, “ninguém está satisfeito”.

Segundo Nuno Barata, o investimento de cerca de 800 mil euros anuais, por parte do Orçamento da Região, numa competição onde “os clubes não estão satisfeitos, as associações não estão satisfeitas, os cidadãos não estão satisfeitos”, obrigam “mesmo a tomar uma atitude e não empurrar com a barriga para a frente”. 

Desporto e Saúde

Por outro lado, num âmbito mais geral, Nuno Barata sublinhou “a importância que tem o desporto, a atividade e o exercício físico, como pilar da saúde pública e como prevenção de comportamentos desviantes de todas as dependências que nós conhecemos, sejam elas as contemporâneas dependências digitais, as mais vetustas dependências do álcool e as dependências das substâncias psicoativas”.

Para a IL, “investir no exercício físico – e reparem bem nas minhas palavras, estou a falar do exercício físico, não estou a falar de desporto, da alta competição – estou a falar de promover exercício físico, é promover uma diminuição dos custos na saúde, é promover uma longevidade da nossa população, é promover hábitos de vida saudáveis que nos fazem a todos viver melhor”. 

IL/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.