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REGIÃO | José Manuel Pureza diz que o “Estado da Nação é a desigualdade radical”

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Em visita à Loja Eco-solidária da Solidarie’Arte, em Ponta Delgada, José Manuel Pureza afirmou que o Estado da Nação – discutido esta semana na Assembleia da República – “é a desigualdade radical entre a maioria que trabalha e vê o salário encolher” e “uma pequena elite acumula lucros absolutamente obscenos, de muitos milhões”, em sectores que mais pesam no orçamento das famílias: os combustíveis, a grande distribuição, o imobiliário.

O coordenador nacional do Bloco salientou que controlar preços de bens essenciais “não é ideologia, é apenas bom-senso”, como acontece com o preço dos combustíveis nos Açores. Ainda assim, o Bloco defende que o Governo Regional tem margem orçamental para descer o imposto sobre os combustíveis (ISP), e devia cumprir as resoluções aprovadas no parlamento regional.

José Manuel Pureza destaca que controlar preços de bens essenciais é “pura e simplesmente perceber que, para o dia a dia das pessoas, é essencial haver esse controlo”.

Mas a resposta à crise do custo de vida não pode ficar por aqui: além do controlo de preços, o deputado defendeu a necessidade de serviços públicos fortes — nas rendas de casa, nos empréstimos bancários, nos medicamentos e nos serviços de saúde — como forma de o próprio Estado ser “um exemplo de solidariedade”.

Sobre a Loja Eco-solidária e que visitou, o coordenador nacional do Bloco revelou estar “impressionado com a capacidade de transformar vontade e solidariedade em ação, num tempo em que reina o individualismo e a competição” e enalteceu as pessoas que “dão a sua vida por esta solidariedade com as pessoas que têm menos”.

Atual modelo de Subsídio Social de Mobilidade “é uma trapalhada”

José Manuel Pureza considera que “o atual modelo é uma trapalhada”, por isso, o Bloco, desde a primeira hora, defende que os residentes só devem pagar no ato da compra, no máximo, 119 euros e o Estado, através do seu aparelho institucional resolve o resto.

O coordenador do Bloco acusa o Governo da República de estar a “tentar substituir aquilo que é um direito de cidadania por um apoio social com um aperto cada vez maior” – como aconteceu com a fixação de tetos máximos para o valor a reembolsar.

Dilatar no tempo a restituição do valor pago a mais, e passar essa responsabilidade para as pessoas “é uma violência totalmente desnecessária”, reitera José Manuel Pureza.

Quanto à plataforma digital, o coordenador do Bloco, a plataforma tem que ser “um mecanismo com toda a segurança e todo o rigor, sem dar lugar a fraudes”, e acima de tudo “amigável e usável por todas as pessoas, independentemente da sua literacia digital”.

BE/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.