OPINIÃOSÃO JORGE

OPINIÃO | Descubra a Ponta do Topo: Sugestões para uma Experiência Autêntica na Ilha de São Jorge, por Cecília Brasil

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A Ilha de São Jorge pode ser bastante enganadora quando vista num mapa. Embora pareça longa e estreita, é também extremamente montanhosa, com estradas e caminhos muitas vezes não claramente identificados. O acesso às fajãs, por exemplo, faz-se por caminhos íngremes e estreitos, repletos de curvas apertadas, o que pode tornar a descida e o regresso à estrada principal demorados.

Normalmente, os visitantes que chegam à ilha para explorar o chamado “Triângulo” (São Jorge, Pico e Faial) espera explorar São Jorge numa questão de dois a três dias para muitas vezes ficar surpreendido com o desafio que esta ilha tem devido a sua geografia. Um grande número desses turistas raramente se aventura além da entrada para o trilho da Caldeira, na Serra do Topo. É comum ouvir, em tom de brincadeira, que o Topo é a “décima ilha” dos Açores. De facto, esta zona de São Jorge, hoje composta por duas freguesias (Vila do Topo e Santo Antão), foi um concelho autónomo até 1867, antes de ser integrada no concelho da Calheta. Contudo, a ligação entre o Topo e a Calheta nunca foi propriamente “sólida” – e não apenas de forma metafórica, mas também literal. O Topo está separado da Calheta pela imponente Serra do Topo e, até recentemente, o acesso entre as duas vilas era precário. Esta dificuldade fazia com que muitos habitantes do Topo preferissem tratar dos seus negócios ou assuntos na ilha Terceira, em vez de se deslocarem à Calheta.

Ao longo dos séculos, as relações entre o Topo e a Terceira tornaram-se fortes. Não só os casamentos entre habitantes das duas ilhas eram comuns, como também grande parte do comércio local era feito diretamente com a Terceira, apesar das condições limitadas do porto do Topo. Contudo, é justo dizer que essa ligação foi mais intensa no passado. Hoje em dia, o desenvolvimento e a melhoria das infraestruturas forçaram a população do Topo a olhar mais para o lado oeste de São Jorge mas ironicamente o Topo é ainda (e senão mais) esquecido do que aquilo que já era.

Essa aparente “solidão” do Topo, no entanto, é uma bênção para aqueles que procuram uma experiência autêntica e genuína dos Açores. Embora o Topo tenha sofrido um grande êxodo populacional após o terramoto de 1980, os que permaneceram são incrivelmente ativos, formando uma comunidade dinâmica e resiliente. É essa autenticidade, juntamente com a simplicidade e o orgulho das suas gentes, que tornam o Topo um destino único para quem deseja saborear a verdadeira essência da vida açoriana.

Reconheço que o Topo não atrai todos os tipos de turistas. Aqui, não há ‘glamour’! O Topo não é para quem procura hotéis de luxo com tudo incluído ou experiências zen meticulosamente planeadas para as redes sociais. Contudo, para aqueles que valorizam o autêntico, o simples e o genuíno – para quem deseja uma experiência de aventura em contacto direto com a cultura local, hospedando-se em alojamentos locais e vivenciando o dia a dia da comunidade – o Topo reserva experiências únicas e inesquecíveis.

É a este grupo de viajantes que dedico este artigo. Fica aqui algumas sugestões para explorar e vivenciar o melhor que esta ponta da ilha de São Jorge tem para oferecer:


Construído em 1927, o Farol do Topo continua em funcionamento e é cuidadosamente mantido pelos seus guardas. Localizado nas falésias rochosas da Ponta, de frente para o Ilhéu do Topo. O farol está aberto ao público todas as quartas-feiras, de forma gratuita. Em dias claros, os visitantes podem desfrutar de vistas espetaculares da Pontinha, do Ilhéu do Topo, bem como das ilhas Terceira e Graciosa.
Para mais informações, acesse o site oficial do Farol do Topo.


A Ilha de São Jorge é amplamente reconhecida pelo seu queijo, cuja principal caracterização é ser elaborado com leite cru. No Topo, produz-se cerca de um terço de toda a produção da ilha, o que torna esta indústria um pilar fundamental para a economia local. Há indícios de que os primeiros colonos flamengos tenham introduzido a tradição de fabricar queijo na ilha, e o seu sabor único deve-se à particularidade das “pastagens atlânticas”. Ao longo dos séculos, o queijo tornou-se essencial na alimentação dos jorgenses. Contudo, foi apenas no meados do século que a produção de queijo se consolidou como a principal atividade económica da ilha. Apesar da grande escala de produção, a equipa da fábrica permanece pequena e destaca-se pela simpatia e hospitalidade com que acolhe os visitantes. Na fábrica, os visitantes têm a oportunidade de conhecer todo o processo de fabrico e, claro, de provar este queijo de renome mundial. Para mais informações: Finisterra Topo


Os moinhos de água no Cruzal foram abandonados após o terramoto de 1980 e, desde então, a natureza tem vindo a reclamar o espaço. Cercado por altas árvores e uma bela cascata, este local transformou-se num cenário romântico e nostálgico, perfeito para passeios tranquilos e momentos de relaxamento. Atualmente, decorrem trabalhos de preservação ao longo de um pequeno trecho da Ribeira Lexias. Contudo, ainda há progresso a ser feito para que os visitantes possam compreender plenamente a importância histórica dos moinhos para a população do Topo.

No passado, existiam dois tipos principais de moinhos de água: os moinhos privados e os moinhos comunitários, conhecidos como “moinhos de irmãos”. Os moinhos privados operavam mediante um pagamento em forma de percentagem do grão moído, que era retido pelo proprietário como compensação pelos serviços prestados. Já nos moinhos de irmãos, cada membro da comunidade dispunha de um dia ou meio dia por semana (dependendo do número de membros) para moer o seu grão. A manutenção destes moinhos era responsabilidade de todos os utilizadores, que contribuíam com trabalho sempre que necessário para assegurar o bom funcionamento.

Hoje, já não é necessário moer o milho como antes, pois a cultura do milho tem vindo a desaparecer, em parte devido às comodidades modernas e também à introdução de sementes geneticamente alteradas. Apenas uma pequena minoria de agricultores locais ainda preserva as variedades de milho que foram cuidadosamente moldadas pela natureza para se adaptarem aos solos jorgenses. No entanto, este tipo de variedade não é tão robusta face aos métodos agrícolas atualmente utilizados e, aos poucos, tem vindo a desaparecer, tal como aconteceu com o trigo.


Os tradicionais pão e bolos de milho comercializados nos supermercados são normalmente de cor amarelada, enquanto o verdadeiro pão de milho Jorgense – alimento outrora essencial na alimentação da ilha – é de cor branca e apresenta uma textura húmida.


Para mais informações sobre a Cascata do Cruzal, acesse este link.


Para os amantes de adrenalina, o canyoning é uma atividade imperdível no Topo. Esta emocionante aventura, que envolve a descida de cascatas e a exploração das ribeiras, foi introduzida nos Açores por aventureiros de São Jorge nas Ribeiras do Topo. Hoje, continua a ser uma das atividades mais procuradas na ilha de São Jorge e vale totalmente a pena experimentar. Como em qualquer desporto, existem diferentes níveis de dificuldade no canyoning, tornando-o acessível até mesmo para iniciantes que possam estar hesitantes em experimentar.


Reserve a sua experiência com uma empresa de aventura da Aventour ou com Discover Experience para desfrutar esta inesquecível experiência.

O ideal é começar o dia com uma caminhada de Lourais até à Fajã de São João, este e um dos trilhos mais cénicos de São Jorge. Ao longo do percurso, irá passar por Gingal e pela Fajã d’Além (Sul), onde poderá ver as tradicionais ‘Casas de fajã’, utilizadas durante os meses de inverno pelos Topenses que desciam das terras altas para ‘invernar gado’. Pelo caminho, encontrará plantações de inhames e, finalmente, chegará ao Porto da Panela, onde poderá desfrutar de um bom mergulho. Para os mais experientes, a jornada pode continuar até à Fajã da Saramagueira e, de lá, até São Tomé. Esta parte do percurso exige um nível mais elevado de preparação física e conforto com subidas íngremes.

Se caminhadas não são a sua preferência, pode simplesmente visitar a Fajã e apreciar o seu charme único. Passeie pelas ruas estreitas e admire as casas de veraneio com os típicos “portões de pedra“, característicos desta fajã.

Por vezes é possível desfrutar da praia de areia negra que se forma na Baía da Areia, especialmente durante as marés baixas. Pode também explorar a Ribeira da Fajã de São João e aproveitar para se banhar suas águas frescas. Não tenha receio de seguir as pequenas ‘Calçadas’ – escadas de pedra que levam às partes mais altas da fajã ou de interagir com os seus habitantes, que geralmente ficam muito orgulhosos de partilhar o estilo de vida simples da vida de fajã.

Para os Românticos os pores do sol na Fajã de São João são dos mais emblemáticos dos Acores, no Verão vale apena anoitecer pela fajã ao som cagarros, ver o dançar dos garajaus nas grande pedras da Fajã e ou simplesmente apreciar os som das ondas a bater nas pedras do Calhau.

Datas importantes para lembrar:

24 de junho: Celebração do seu padroeiro, São João, com festividades religiosas, fogueiras e noites muito animadas.

Segundo fim de semana de agosto: Celebração da Nossa Senhora da Guia, que atrai muitos devotos. Durante este período, é comum ver visitantes a aproveitar o dia entre o Caldo de peixe que os mordomos da festa fazem para oferecer e no Porto da Panela, a nadar, a pescar ou a praticar snorkeling.

Para mais informações sobre a Fajã de São João, acesse este link.



Visite a Igreja Matriz da Vila do Topo e Convento de S. Diogo:

A Igreja Matriz da Vila do Topo é um dos edifícios religiosos mais interessantes da ilha. Situada no coração da Vila, e é um excelente exemplo da arquitetura tradicional açoriana, destacando-se pelo seu altar barroco recentemente restaurado, que impressiona pela riqueza dos detalhes. A data de fundação remonta ao final do século XV ou início do século XVI. A igreja passou por várias alterações e restaurações ao longo dos séculos, incluindo após o terramoto de 1980, que causou danos significativos na região do Topo. Apesar das adversidades, a comunidade local sempre demonstrou um forte compromisso com a preservação deste importante símbolo de fé e história.

A igreja está sempre aberta ao público, permitindo aos visitantes admirar o seu interior e a beleza das suas talhas.

Já o Convento de S. Diogo e a igreja anexa, hoje é sede da Escola Básica Integrada da Vila do Topo. O convento foi mandado construir por um dos descendentes de Guilherme da Silveira, o padre Diogo de Matos da Silveira. Trata-se do antigo convento da ordem seráfica, na vila do Topo, e da sua igreja, dedicada a S. Diogo. Este foi o segundo convento desta ordem na ilha de São Jorge, fundado na segunda metade do século XVII. Mais tarde, por volta de 1834, foi extinto devido à supressão das ordens religiosas. Vale a pena destacar que a presença dos religiosos na vila fomentou o seu crescimento socioeconómico, dedicando-se à dinamização da agricultura e, simultaneamente, incentivando a educação dos habitantes. Mais tarde, por volta de 1866, o edifício tornou-se um posto fiscal na vila, mantendo-se a igreja em funcionamento e sendo alvo de obras no final do século XIX. Posteriormente, o edifício tornou-se a Casa do Povo da freguesia e, atualmente, é a sede da Escola Básica Integrada do Topo.

Para mais informações, acesse aqui.

Solar dos Tiagos e Ermida de Nossa Sra. da Ajuda:

O Solar dos Tiagos é um dos mais notáveis exemplares da arquitetura senhorial da ilha de São Jorge. Recentemente reconstruído, nele se encontra a Casa do Povo da Vila do Topo. Ao lado, está uma das ermidas mais antigas da ilha: a Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, mandada construir por João Pires de Matos, casado com Maria da Silveira, filha de Guilherme da Silveira.

Sobre esta, João Pires de Matos possuía uma eira onde iniciou a construção de uma ermida dedicada a São Lázaro. No entanto, desencantado com o local escolhido, decidiu mandar edificar uma nova ermida com a mesma invocação, a atual Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, onde viria a ser sepultado. Mais tarde, sua esposa concluiu a construção da primeira ermida, mudando a invocação para São Pedro.

Acredita-se que João Pires de Matos tenha dedicado a ermida a São Lázaro, padroeiro dos leprosos, precisamente por ter sido vítima desse flagelo. Atualmente esta pequena Ermida junto ao Solar do Tiagos esta dedicada a Nossa Senhora da Ajuda, no entanto S. Lazaro ainda la esta assim como imagem de S. Rosa de Viterbo.

A Ermida de N. Senhora da Ajuda abre as suas portas aos devotos em dias especiais como dia 15 de Agosto para celebrar a festa da Assunção de Nossa Senhora aos Céus.

Se estiver interessado em percorrer a Rota de Guilherme da Silveira, siga até São Pedro, onde encontrará a ermida concluída por sua filha, Maria Silveira. Foi nesta região que os primeiros povoadores se estabeleceram, devido à presença de água e à proteção contra os ventos marítimos. Sobre esta ermida, o autor e historiador Francisco de Borba afirma que, durante os primeiros séculos de povoamento, que possivelmente se realizou cavalhadas em honra a D. Pedro; e que tolerância religiosa do povo flamengo era notável, permitindo que mouros escravizados tivessem acesso ao “templo” para venerar Santo Amaro -‘um santo hospedo de São Pedro’ – que acabaram por adotar como protetor, já que não podiam praticar abertamente sua religião muçulmana.

Localizados no coração das freguesias do Topo, os Impérios do Espírito Santo são pequenos e encantadores edifícios que simbolizam a profunda fé dos açorianos no Espírito Santo. É nesses espaços que as insígnias dessa devoção açoriana são cuidadosamente guardadas durante o ano. A simbologia desta festa é rica e diversificada, com elementos como o Espírito Santo, a coroa, o prato, o cetro, a espada, as varas de madeira e as bandeiras, cada um carregado de um significado especial.

No Topo, as festividades do Espírito Santo são celebradas de forma única nas freguesias da Vila do Topo e de Santo Antão. Por isso, existem dois Impérios e duas Casas do Espírito Santo, que servem como cozinhas e salões utilizados pela Irmandade do Espírito Santo para a realização das Festas. Essas celebrações ocorrem tradicionalmente após a Páscoa, ao longo de sete semanas, culminando nos fins de semana de Pentecostes e da Santíssima Trindade.

Durante esse período, as freguesias celebram de forma semelhante, com ofertas e partilhas de pão, vinho e carne, tanto como esmola quanto em refeições, especialmente com as famosas Sopas do Espírito Santo. É também comum que essas celebrações sejam realizadas fora da época oficial, organizadas por devotos de São Jorge ou emigrantes que retornam às ilhas para cumprir promessas.

Os visitantes que desejam conhecer mais sobre esta rica tradição cultural são sempre calorosamente recebidos durante as festividades, podendo vivenciar a generosidade e o espírito comunitário que são marcas da cultura açoriana.

O Império da Vila do Topo, em particular, está aberto diariamente pelos seus guardiões, permitindo aos visitantes admirar suas insígnias e se imergir nesta rica tradição.

Embora pequeno, o Porto do Topo é um ponto de grande importância para os topenses, não apenas como local de trabalho, mas também como espaço de encontro e confraternização. Ao longo dos anos, o porto tem sido alvo de várias polémicas. A sua geografia e os desafios geológicos tornaram a construção e expansão difíceis, além do desinteresse de muitos governantes em reconhecer a sua posição estratégica e investir na sua melhoria. No entanto, o porto foi ampliado nos últimos anos, o que fez uma grande diferença para os pescadores locais e para outros que aqui aportam quando necessário.

Durante o verão, o porto também recebe com frequência companhias marítimo-turísticas vindas da Terceira, com visitantes que embarcam para explorar a ilha de São Jorge, ou vice-versa.

Para quem aprecia acordar cedo, uma visita ao porto pela manhã oferece uma oportunidade única para observar os barcos saindo para a pesca ou chegando com os frutos do mar. Outra experiência interessante é juntar-se aos grupos de pescadores de varas, que, nos dias de bom tempo, se reúnem no final da tarde para pescar. Esta atividade é especialmente divertida para as crianças, que podem fazer sua primeira pesca de forma simples e descontraída.

Se a pesca não for do seu interesse e preferir apenas desfrutar do ambiente, o Porto do Topo também é muito procurado para banhos de mar. Durante o verão, o cais se enche de topenses que aproveitam o local tanto para nadar quanto para socializar. Nas recentes melhorias do porto, foi preservada uma gruta que pode ser admirada ou visitada a nado, proporcionando uma experiência única. Além disso, a baía é excelente para snorkeling, permitindo a observação de diversas espécies submarinas.

O nome “Topo” deriva da localização da vila no topo das dramáticas falésias, que apresentavam grandes desafios aos primeiros colonos. Para superar essas dificuldades, a população esculpiu escadarias na pedra, que serviam como vias essenciais para o mar. Essas escadarias ainda existem hoje e, apesar de não serem oficialmente classificadas como património, representam a resiliência e engenho dos primeiros habitantes do Topo.

Pode aceder ao Porto Velho através de um pequeno trilho não sinalizado, localizado perto do porto atual. O caminho leva até uma escadaria de pedra que conduz aos pontões — plataformas naturais de rocha que, no passado, eram utilizadas como porto. Vale ressaltar que o acesso exige alguma prudência, pois não há resguardos ao longo do trajeto.

Para mais informações sobre a história do Porto do Topo, consulte aqui.

Para uma experiência semelhante, visite a Pontinha, onde encontrará mais dessas históricas escadarias de pedra e vistas incríveis, incluindo a “Pedra do Silveira”. Segundo a história verbal, foi neste local que os primeiros flamengos desembarcaram no Topo.



Explorar a costa norte de barco é uma oportunidade única para apreciar a beleza selvagem da ilha, enquanto se conecta com a história e a tradição das fajãs e das pessoas que nelas viveram. Esta é sem duvida uma das mais impressionantes dos costas dos Açores.

No percurso, pode admirar as Fajãs do Norte do Topo, muitas delas abandonadas apos o sismo de 80, incluindo a Fajã do Sanguinhal, a maior e mais interessante que ficou congelada no tempo. Durante a viagem, terá a oportunidade de passar pela Ponta Furada, e contemplar outras formações rochosas, bem como as cascatas que adornam as fajãs. Este passeio é especialmente nostálgico para emigrantes e seus descendentes que deixaram estas terras após o sismo de 1980, nunca mais puderam regressar aos locais onde cresceram.

Existem várias empresas marítimas turísticas que oferecem passeios de barco à volta da ilha e outras viagens: exemplo Mar Azores e Via Mar Azores.

Se procura uma experiência mais personalizada, como viagens entre o Topo e a ilha Terceira, contate o seu anfitrião ou os pescadores locais, que estarão dispostos a organizar um passeio à medida das suas preferências.



A Pontinha é um local de beleza inesquecível. Existe uma pequena piscina de água salgada que é melhor aproveitada durante a maré alta. Além disso, há vários trilhos costeiros ideais para apreciar as falésias do Topo. O local também oferece uma área de piqueniques, churrasqueiras um espaço infantil e até campismo, tornando-o perfeito para um dia relaxante junto ao mar.



Ordenhar uma vaca e beber leite fresco, ainda morno, é uma experiência ancestral que nos conecta profundamente às tradições agrícolas e ao passado rural. Cada vez mais rara, essa atividade desperta grande curiosidade, especialmente entre as crianças, que se encantam com o contato direto com os animais. Embora a maioria dos produtores de leite atualmente utilize máquinas, em São Jorge, a ordenha ainda ocorre nas pastagens, onde as vacas se alimentam livremente.

Esta experiência, que combina autenticidade e tradição jorgense, ainda não é amplamente explorada pelas empresas de turismo na ilha. No entanto, no Topo, é possível vivenciá-la de forma genuína. A família da Quinta Feliz tem se destacado como pioneira nesta área de turismo e, dependendo da época, pode proporcionar essa experiência única.

Alternativamente, pode conversar diretamente com o seu anfitrião, que poderá ajudá-lo a organizar essa atividade com um produtor de leite local. Outra opção é procurar os funcionários dos cafés da zona. Por exemplo, o Café Mercearia Alves, no caminho do Chão, é um ponto de encontro habitual dos produtores de leite após a ordenha, e eles certamente poderão orientá-lo sobre como participar dessa vivência inesquecível.

Se preferir explorar por conta própria, pode fazer um passeio pelos pastos (partes mais altas da ilha onde abundam as pastagens) nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde. Um percurso interessante é subir a canada Velha (Freguesia de Santo Antão) ou então subir o Barreiro em direção à Cancela d’Água, em direção à fábrica de leite Finisterra no caminho de cima. Nesta rota, é comum encontrar rebanhos de vacas sendo ordenhadas. Não hesite em interagir com os produtores e pedir para assistir à ordenha — muitos estarão dispostos a compartilhar essa experiência.

Além do contato com a tradição agrícola, essa atividade oferece uma oportunidade única para entender a rotina dos produtores locais e desfrutar da simplicidade da vida na ilha. Um momento que certamente ficará na memória!



É nos caminhos em direção ao Barreiro e São Pedro, no Topo, e nas áreas da Cancelinha, Cruzal, Caminho da Pedra e São Tomé, na freguesia de Santo Antão, que se encontra a verdadeira paixão topense. Estas zonas, predominantemente rurais, ainda abrigam pequenas explorações de gado da raça Ramo Grande, um verdadeiro símbolo de tradição nos Açores. Aqui, as pessoas vivem de forma simples, mas com um imenso orgulho em preservar e manter viva a sua cultura.

Esta raça de bovinos era não só crucial no trabalho da terra como também no transporte. Apesar das inovações agrícolas, ainda há muitas explorações que utilizam estes animais, especialmente em áreas onde a geografia montanhosa da Ilha de São Jorge impede o uso de tratores para lavrar a terra.

São por estes caminhos que, normalmente pela manhã ou ao fim da tarde, se podem encontrar juntas de bois a puxar carros de madeira, um cenário que reflete o modo de vida tradicional da ilha. Este tipo de gado, que também marca presença assídua nas festividades locais, é oficialmente registado como uma raça autóctone açoriana. Aliás, a maior concentração de gado Ramo Grande nos Açores encontra-se precisamente nesta ponta da ilha.

Exploração Ramo Grande do João Paulo: Clique aqui para saber mais sobre a exploração Ramo Grande do João Paulo.

Exploração Ramo Grande de Olegário Sousa: Clique aqui para saber mais sobre a exploração Ramo Grande de Olegário.



As touradas têm uma grande importância cultural nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa. Influenciadas pelo domínio espanhol durante o reinado filipino, as touradas assumiram uma forma única nos Açores. Diferentemente das touradas em arena, é nas touradas à corda que qualquer pessoa pode participar (ou assistir a uma distância segura). Estas touradas de rua são extremamente populares e ocorrem frequentemente nos fins de semana de verão. Embora existam movimentos de defesa dos direitos dos animais que apelam à sua proibição, esta tradição continua a ser uma das experiências mais marcantes que os visitantes podem vivenciar na ilha.



A vila do Topo é pioneira na promoção de formas alternativas para explorar a freguesia, disponibilizando bicicletas elétricas aos visitantes. Com elas, é possível explorar de forma mais rápida, prática e prazerosa.
As bicicletas estão disponíveis junto à sede da Junta de Freguesia e podem ser alugadas por um dia inteiro. Aproveite para conhecer as paisagens e pontos turísticos da freguesia de maneira sustentável e divertida!



Mesmo no coração da Vila do Topo, encontra-se um dos melhores restaurantes de São Jorge: o Caseiro. Este restaurante é gerido por uma família de topenses, cuja dedicação à produção e confeção dos pratos tradicionais é a grande marca da casa. Os ingredientes são cultivados pelos próprios proprietários, incluindo a carne, o que garante frescor e qualidade aos pratos. O restaurante oferece almoços à la carte ou em sistema buffet, sendo que, para o jantar, é aconselhável fazer reserva. Além disso, o Caseiro funciona também como o café central da vila, tornando-se um ponto de encontro onde quase toda a freguesia se reúne para tomar um café e ou ate mesmo para informações.

🔗 Localização no Google Maps

Se procura uma experiência gastronómica com uma vista deslumbrante para o mar, o Olhar Ilhéu, situado na Pontinha, é uma excelente opção. Para quem prefere praticidade, a Churrascaria Bruma, no centro da freguesia de Santo Antão, oferece um serviço de take-away com uma ementa recheada de delícias como frango assado, hambúrgueres e outros pratos saborosos. Como alternativa para o almoço, pode ainda visitar o Café Snack Bar Silvas no Barreiro, onde é servido um prato do dia durante a semana. Clique aqui para acessar o perfil do Facebook.

🔗 Localização do Olhar Ilhéu
🔗 Localização na Churrascaria Bruma

Para aqueles que buscam uma experiência exótica e única, com o prazer de fazer uma pequena caminhada até a Fajã do Gingal, podem entrar em contato com a Sra. Rosa Durvalina Cardoso. Ela é amplamente reconhecida pelos seus banquetes de iguarias típicas da Ilha de São Jorge e adora receber turistas na sua adega, oferecendo vistas deslumbrantes sobre o canal. O serviço é realizado apenas mediante reserva, pelo telefone: +351 927 432 389. Clique aqui para saber mais sobre Rosa Durvalina.


No Topo, a Padaria/Pastelaria Dôcilha é uma verdadeira instituição, distribuindo seus deliciosos produtos por toda a ilha, com várias lojas localizadas no centro da vila.
🔗 Localização da Padaria/Pastelaria Docilha

Para as suas compras, o Mercadinho da Vila, situado junto à Igreja Matriz, oferece uma grande variedade de produtos locais. Caso não encontre o que procura, basta falar com a Tina, que o ajudará a localizar o item desejado. Na freguesia de Santo Antão, a Mercearia Bettencourt é outro excelente ponto de apoio para quem busca produtos típicos da região. E, se já for tarde para suas compras, não se preocupe: basta passar pelo Café, Mercearia Alves, no caminho do Chão. O Manuel e sua equipe estão sempre dispostos a abrir a loja quando necessário, garantindo que ninguém fique sem o que precisa.

🔗 Localização do Mercadinho da Vila
🔗 Localização da Mercearia Bettencourt
🔗 Localização do Café e Mercearia Alves

Uma última dica para os apreciadores da gastronomia local: as melhores espécies da ilha são confecionadas no Topo. Nesta ponta as receitas tradicionais, como as espécies, são enriquecidas com mais especiarias e até com cacau. Vale a pena experimentar os doces caseiros, que são cuidadosamente preparados pelas mestras do Topo, e comparar os sabores com os das outras partes da ilha. Ao contrário da Ponta da Velas, onde as especiarias eram mais escassas, o Topo sempre se destacou pela abundância delas, trazidas pelas naus que aportavam na vizinha ilha da Terceira. Essa riqueza é refletida nos doces, nas carnes e nas sopas preparadas durante as festas do Espírito Santo.

Há muito mais para fazer e dizer sobre o Topo, começando pelas suas filarmónicas, festas populares e caminhadas, mas sobre isso falaremos em um próximo artigo.



Para terminar, de uma forma geral, a maior sugestão de todas é interagir com os locais! Felizmente, a grande maioria dos jorgenses tem alguma proficiência em inglês, o que facilita a comunicação com visitantes de outros países. Embora possam parecer reservados à primeira vista, uma vez feitas as devidas apresentações, os jorgenses revelam-se pessoas extremamente afáveis, calorosas e sempre dispostas a ajudar, garantindo que a sua passagem pela ilha seja a mais agradável possível.

No Topo, essas qualidades são ainda mais evidentes! O povo é humilde, simples e de coração generoso, recebendo todos os visitantes com uma hospitalidade genuína e acolhedora. Aproveite estas sugestões para criar amizades e conhecer as histórias e tradições que tornam esta comunidade tão especial.

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.