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OPINIÃO | A primeira tourada depois da pandemia, por Liduíno Borba

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Nesta sexta-feira, dia 15 de outubro, pelas 15 horas, fui visitar, ao Lar de idosos de Angra, a minha tia Lurdes, a única que tenho viva, num total de 12, 6 do lado materno e 6 do lado paterno.
Como habitualmente, em tempos de Covid-19, marcamos essa visita, de 15 minutos, com uma antecedência de cerca de 15 dias. A visita só pode ser efetuada uma vez por semana e em condições muito especiais. Num vão de porta é colocada uma mesa quadrada normal, com um acrílico no meio. Ela fica sentada no lado de dentro, sem máscara, e eu no lado de fora mas mascarado.

Falamos alto (quase que gritamos), para nos entendermos, na presença dos que nos rodeiam, sem ter qualquer privacidade. Como os segredos não são nenhuns lá chegamos ao fim desses 15 minutos sem dar por isso. Para esse mesmo dia foram anunciadas para a ilha Terceira 3 touradas à corda: uma no Caminho do Cemitério, Praia da Vitória; outra em São Sebastião; e outra ainda no Lameirinho, em Angra. Todas para a 5 da tarde, aproveitando assim a abertura anunciada a estes eventos (3 dias antes), às 22 horas do dia 12, terça-feira, pelo Secretário Regional da Saúde, Clélio
Meneses.

Segundo informação que circulou, uma outra tourada foi falada para a Terra Chã, mas a Junta de Freguesia deu parecer negativo, alegando que não havia tempo para os preparativos e que nesse dia havia tomada de posse dos novos membros da mesma Junta. Quanto à primeira alegação é discutível porque os lugares em que houve tourada tudo se resolveu, como os terceirenses sabem resolver. Quanto à segunda razão, embora respeite o ato, só é muito importante é para os próprios e não para o povo que os elegeu.

Estava ali perto, sai do Lar de Idosos e dirigi-me ao Lameirinho para a tourada, que começava às 5 da tarde. Que alegria com aquele ambiente de festa. As tascas já lá estavam e comi uma apetitosa bifana. Os convivas foram chegando, a varandas foram-se enchendo de gente e quando o foguete estalou, para a saída do toiro, o arraial estava composto. Parecia um sonho. A contrastar com o ambiente de contenção do Lar de Idosos, a quinhentos metros dali, toda a gente estava sem máscara e disfrutando da melhor convivência entre amigos e conhecidos. Os toiros, de 4 ganaderos, fizeram o que tinham a fazer, neste último dia legal para se poder dar toiros – o 15 de outubro. Recordar que a última tourada tinha acontecido há precisamente 2 anos – 15 de outubro de 2019.

O Lameirinho é um lugar histórico e com história: o famoso Chafariz da Cerveja fundado em 1858; lugar de residência da grande improvisadora Turlu (1907-1987); lugar de residência do improvisador João Gouveia (1920-1995). O grupo de amigos ligados ao Chafariz da Cerveja, e a várias das festividades locais, não participaram ativamente nesta tourada de 2021, por razões de ordem pessoal e familiar.

O Parlamento Açoriano, nesta semana que vem, irá discutir, e quem sabe aprovar (?), uma alteração à lei das touradas, para que este ano de 2021 se prolongue até 15 de novembro e que no ano de 2022 comece a 18 de abril, segunda-feira a seguir à Páscoa, quase quinze dias antes da data oficial.
Aguardemos…
Pelo que ouvi, as outras touradas – São Sebastião e Caminho do Cemitério – também correram muito. Que venham mais para que a nossa ilha

Terceira volte ao que era.

2022 promete…

LB/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.