SÃO JORGE

Aulas voltaram às Velas e alunos não faltaram

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Quando o susto da crise sismovulcânica afastou metade dos alunos das Velas, a atividade letiva foi suspensa. Regressou agora, com normalidade.

Os alunos regressaram, ontem, à Escola Básica e Secundária de Velas, depois de, no início da crise sismovulcânica, as aulas terem sido interrompidas. A suspensão da atividade letiva foi determinada pela secretaria regional da Educação a 19 de março, numa altura em que muitas famílias mudavam de concelho em São Jorge ou saíam mesmo da ilha.

Segundo o presidente do conselho executivo da Escola Básica e Secundária de Velas, Vítor Bernardes, “quando a Proteção Civil subiu o nível de V2 para V4, no dia seguinte, apareceram 50% dos alunos”, o que conduziu à decisão da tutela.

“Não valia a pena estarmos a avançar com metade dos alunos fora”, frisou. Ontem, o cenário era muito diferente. “A adesão e o regresso dos alunos têm sido em massa. Entre 550 alunos, estão em falta ou pediram transferência para outras escolas, sete alunos. É irrisório”, disse, em declarações ao DI.

A escola manteve-se em funcionamento mesmo no período que seria de interrupção para férias da Páscoa, dado que alguns pais não tinha onde deixar os filhos. “Tivemos poucos alunos, mas mantivemos as portas abertas para os receber”, descreveu.

Será agora escolhida uma abordagem para recuperar o tempo de aprendizagem perdido.
“Vamos ter conselho pedagógico e tentar ver qual é a melhor estratégia para a recuperação destas atividades e destes conteúdos não lecionados nestas duas semanas”, adiantou o presidente do conselho executivo.

O plano terá de ser aprovado pela secretaria regional da Educação. “Poderá passar pelo fim do terceiro período ser uma ou duas semanas depois do previsto. Ou podemos constatar que é preferível, no próximo ano letivo, haver um reforço para estas atividades”, explicou.

Para Vítor Bernardes, é bem-vindo o regresso das aulas. “É muito importante. Tenho dito a todos os encarregados de educação e a toda a comunidade escolar que é verdade que estamos a atravessar uma crise sísmica, mas também é verdade que o pior poderá já ter passado. Há uma acalmia”, afirmou.

“Nunca na região tivemos uma preparação tão boa para uma catástrofe. Eu estava no sismo de 1980. Não estávamos à espera, o sismo aconteceu e causou-nos os estragos que causou… Esta crise tem-nos avisado e deixado preparados para algo que possa vir a acontecer”, disse.

José Manuel Mendes, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, especialista nas áreas do risco e da vulnerabilidade social, tinha já defendido, em abril, que a “atividade produtiva, atividade religiosa e a escola” deviam ser retomadas na ilha.

DIÁRIOINSULAR/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.