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ATUALIDADE | Paulo do Nascimento Cabral considera agrivoltaico, biometano e comunidades de energia essenciais para a autonomia energética europeia

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O Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral participou na conferência “Moldar o Futuro Energético de Portugal: Políticas, Energias Renováveis e Eficiência Energética”, promovido pelo “Fórum Europeu para as Fontes de Energia Renováveis (EUFORES)” e pela Assembleia da República, mais concretamente com as Comissões Parlamentares de Ambiente e Energia, e de Economia e Coesão Territorial, respetivamente, tendo destacado que “na atual conjuntura geopolítica reforça a necessidade de a União Europeia acelerar o reforço da sua autonomia estratégica, particularmente nos domínios da segurança energética e da produção alimentar”.

O evento, que decorreu na Assembleia da República, contou com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e com representantes do Parlamento Europeu e Comissão Europeia, deputados nacionais e especialistas do setor energético.

Na sua intervenção, o Eurodeputado recordou que “a União Europeia continua a importar cerca de 57% da energia que consome, situação que a expõe a vulnerabilidades estruturais, que são agravadas por crises recentes, como a invasão da Ucrânia pela Rússia e a crescente instabilidade no Médio Oriente”, e que “31 milhões registaram atrasos no pagamento das respetivas faturas de energia e outros enfrentam grandes dificuldades em suportar os respetivos custos”.

Paulo do Nascimento Cabral destacou o potencial da energia agrivoltaica e do biometano como exemplos concretos de complementaridade entre agricultura e energia. Relativamente à energia agrivoltaica, referiu que “se trata de uma solução que conjuga eficiência na utilização do solo, produção alimentar, resiliência climática e produção de energia renovável no mesmo espaço, pois os painéis proporcionam sombra, reduzem o stress térmico e protegem as culturas de fenómenos meteorológicos extremos”, e  acrescentou que “um estudo do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, destacou que a utilização complementar de apenas 1% da superfície agrícola da União Europeia com sistemas agrivoltaicos permitiria instalar capacidade solar suficiente para ultrapassar os objetivos energéticos europeus definidos para 2030”.

No domínio do biometano, saudou o alinhamento de Portugal com os objetivos europeus através do Plano Nacional Energia e Clima 2030 e do Plano de Ação para o Biometano 2024-2040, destacando que “esta é verdadeiramente a economia circular em ação e soberania energética: menos emissões, melhor aproveitamento dos efluentes pecuários, menor dependência de importações pela produção de fertilizantes biológicos, e economias rurais mais fortes e resilientes com redução de custos de produção e aumento dos rendimentos dos agricultores”.

O Eurodeputado destacou igualmente o papel das comunidades de energia “na democratização do acesso à energia renovável, permitindo aos cidadãos reduzir custos energéticos e participar ativamente na transição energética”. Neste contexto, saudou “a iniciativa do Governo Regional dos Açores de lançar o primeiro aviso de candidatura para apoiar tecnicamente a criação de comunidades de energia”, considerando-a um exemplo de boas práticas na promoção da produção descentralizada de energia.

O Eurodeputado sublinhou ainda a importância de reforçar as interligações energéticas europeias, nomeadamente na Península Ibérica, considerando-as fundamentais para consolidar a União da Energia, reforçar a segurança de abastecimento e assegurar que todas as regiões possam beneficiar plenamente da transição energética. Acrescentou ainda que “o reconhecimento europeu das especificidades dos Açores e da Madeira é essencial para garantir soluções energéticas adaptadas aos desafios dos sistemas insulares não interligados”, afirmou.

A concluir, Paulo do Nascimento Cabral reiterou: “Da nossa parte, o compromisso é claro: financiamento, previsibilidade e estabilidade regulatória para que possamos alcançar todos estes objetivos”.

PE/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.