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ATUALIDADE | Chega. Açores têm de estar preparados para uma catástrofe de grande escala

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Há realidades que não podem ser ignoradas e um arquipélago exposto a riscos vulcânicos, meteorológicos e hidrográficos precisa de estar preparado para um cenário de catástrofe de grande escala. Foi com esta introdução que o líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco, deu início ao debate de urgência sobre “prevenção, plano de catástrofes e capacidade de resposta da Região” que não pretende ser alarmista, mas um exercício de responsabilidade institucional.

Porque “governar é antecipar e antecipar exige planeamento testado, coordenação formalizada e capacidade operacional comprovada”, o CHEGA entende que é importante perceber, nos vários níveis de intervenção, qual o grau de preparação e a capacidade de resposta da Região em caso de catástrofe.

Relativamente ao Plano Regional de Emergência de Protecção Civil, o CHEGA questionou quando foi realizado o último exercício operacional de grande dimensão e, nos últimos três anos, quantos exercícios envolvendo várias ilhas foram realizados.

José Pacheco identificou depois áreas críticas para uma resposta imediata em caso de catástrofe e quis saber como estão organizados. Nomeadamente ao nível da Protecção Civil e meios operacionais, é preciso saber se o serviço está dimensionado para responder a crises simultâneas em várias ilhas, se as comunicações dispõem de redundância efectiva, incluindo sistemas satélite independentes e se as instalações possuem autonomia energética para vários dias.

Ao nível dos hospitais e centros de saúde, o líder parlamentar do CHEGA questionou sobre os planos de contingência se os hospitais ficarem inoperacionais, se existe algum plano formal de evacuação médica massiva inter-ilhas e se existem reservas estratégicas de medicamentos e consumíveis. Nos centros de saúde, a questão prende-se com geradores testados regularmente, reservas de combustível para períodos superiores a 72 horas e se estão asseguradas redundâncias informáticas e de comunicações.

Mas a cultura de protecção civil também se constrói com a educação e prevenção, e o CHEGA entende que o envolvimento da comunidade escolar nos planos de emergência e até das organizações de voluntariado organizado – como os escoteiros – podem representar um recurso relevante, desde que devidamente preparado.

Em caso de catástrofe, o transporte aéreo é uma infra-estrutura crítica, que necessita de articulação, mas também de preparação em caso de evacuação aérea em larga escala. “Existe alguma articulação operacional entre o Grupo SATA e a Força Aérea Portuguesa? Há exercícios conjuntos regulares? Estão definidos tempos máximos de mobilização?”, questionou o CHEGA.

Se houver necessidade de realojamentos das populações, é necessário saber se existe um plano estruturado para acolhimento, se estão identificados espaços por ilha para esse acolhimento e um planeamento logístico para alimentação, apoio social e até acompanhamento psicológico.

E as Juntas de Freguesia? Existem núcleos de Protecção Civil ao nível das freguesias que possam actuar primeiro preventivamente e depois de forma imediata e com formação?

Quanto aos seguros de catástrofe, o CHEGA questionou se existe um estudo regional sobre a cobertura destes seguros e se as apólices multi-riscos habitacionais cobrem efectivamente sismos e outras catástrofes naturais.

Para o líder parlamentar do CHEGA há compromissos que têm de ser assumidos na Região, como os exercícios operacionais multi-ilhas com periodicidade definida, como as auditorias técnicas independentes às infra-estruturas críticas, ou os protocolos formais e testados de evacuação médica ou mesmo o plano estruturado de manutenção preventiva de ribeiras.

Estão os Açores preparados para responder eficazmente a uma catástrofe de grande dimensão? “Se a resposta não for inequivocamente afirmativa, então o momento de agir é agora”, concluiu José Pacheco.

CHEGA/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.