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ATUALIDADE | Berta Cabral contesta novas regras do Subsídio Social de Mobilidade e garante que Governo dos Açores não foi ouvido sobre a matéria

| Foto: SRTMI
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A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, manifesta o seu desagrado pelas novas regras do Subsídio Social de Mobilidade, e garante que o Governo da República apenas auscultou os Açores relativamente à exigência de comprovativo de ausência de dívidas ao Fisco e à Segurança Social aquando para proposta de Portaria, e não do Decreto-Lei agora promulgado pelo Presidente da República.

Berta Cabral entende que o diploma, já promulgado pelo Presidente da República, “desconsidera as legítimas expectativas dos açorianos e não reconhece, de forma adequada, a natureza estrutural da condição ultraperiférica”.

“A solução adotada pelo Governo da República fragiliza a função essencial do Subsídio Social de Mobilidade como instrumento de correção das desigualdades territoriais e de promoção de uma igualdade efetiva no acesso à mobilidade”, sustenta Berta Cabral.

Neste sentido, prossegue a governante, “as alterações introduzidas ao regime do Subsídio Social de Mobilidade não merecem o acolhimento da Região, uma vez que promovem a discriminação entre cidadãos”, tal como já tinha sido transmitido no parecer remetido ao Governo da República aquando da auscultação relativamente à Portaria.

A Secretária Regional referiu ainda que “o modelo agora consagrado representa um recuo face a entendimentos anteriormente firmados e introduz exigências que, pela sua natureza e alcance, colocam obstáculos acrescidos a um direito que deve ser garantido de forma clara, simples e previsível às populações dos Açores”.

Face a este cenário, o Governo dos Açores entende que as normas agora aprovadas levantam sérias dúvidas quanto à sua conformidade com princípios estruturantes da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente os da igualdade, proporcionalidade e respeito pela autonomia político-administrativa das Regiões Autónomas.

“Mantemos a nossa total disponibilidade para um diálogo institucional responsável e construtivo. Esse diálogo não pode ocorrer à custa da Autonomia Regional nem da salvaguarda dos direitos dos cidadãos insulares. A Autonomia não é um mero recurso retórico nem uma concessão circunstancial, mas sim um pilar constitucional do Estado português e um património político que o Governo dos Açores continuará a defender com firmeza, em consonância com a vontade maioritária dos açorianos”, concretiza Berta Cabral.

GRA/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.