
O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) apelou ao governo da república que estenda às regiões autónomas o anunciado desconto extraordinário e temporário sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), para compensar uma eventual subida dos combustíveis nos próximos dias.
Na abertura do colóquio “O Acordo UE-Mercosul e o Quadro Financeiro Plurianual 2028/20234”, em São Miguel, organizado pela Associação Agrícola local, Jorge Rita manifestou preocupação pelo impacto negativo que o conflito no Médio-Oriente terá no sector, “com a subida dos combustíveis, da energia, dos fertilizantes e das taxas de juro, uma incógnita que exige proatividade para antecipar soluções”, disse.
Na abordagem ao acordo comercial UE-Mercosul, o dirigente máximo da agricultura açoriana referiu que o mesmo “não é preocupação neste momento, devido à conjuntura atual” e também “porque ficam salvaguardados os interesses dos Açores, principalmente no sector da carne”.
Por outro lado, o presidente da FAA reiterou que a proposta da nova Política Agrícola Comum (PAC) “é injusta” não só porque sofre uma redução substancial de verbas, “mas porque investe mais na defesa, e torna a agricultura mais pobre”.
“Não aceitamos a redução de verbas no Quadro Financeiro Europeu 2028-2034, que desinveste na agricultura europeia e desintegra as regiões e o país, no seu todo, porque é a agricultura que faz a coesão territorial, económica e social, principalmente nos Açores”, considerou Jorge Rita.
No colóquio marcaram também presença como oradores, o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura e o Secretário-Geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira. Os eurodeputados açorianos Paulo do Nascimento Cabral e André Franqueira Rodrigues, bem como o Diretor-Geral do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), foram outros oradores convidados do colóquio.
O foco de todas as intervenções esteve no Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade (POSEI). Para Jorge Rita é essencial defender o POSEI como instrumento jurídico autónomo com dotação própria para o contínuo desenvolvimento da agricultura como setor essencial para a sustentabilidade socioeconómica dos Açores.
FAA/RÁDIOILHÉU






