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AÇORES | IL diz que é preciso incluir ordenamento do território na Proteção Civil

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O Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Pedro Ferreira, apelou, esta terça-feira, para a necessidade de “reconhecer que o ordenamento do território é uma essencial política de proteção civil”, advertindo que “construir em zonas de risco, manter infraestruturas frágeis ou adiar intervenções estruturais não é neutralidade é acumulação de risco”.

Num debate de urgência promovido no Parlamento dos Açores sobre prevenção, plano de catástrofes e capacidade de resposta da Região, o parlamentar liberal afirmou que “a verdadeira responsabilidade política não se mede pela qualidade da conferência de imprensa”, pois “num território como o nosso, a prevenção não pode ser um documento arquivado, tem de ser uma cultura permanente”.

Para Pedro Ferreira “a dispersão geográfica exige cadeias logísticas redundantes, capacidade de transporte alternativo entre ilhas, planos reais para evacuação faseada, infraestruturas críticas descentralizadas, sistemas de comunicação resilientes e formação contínua das populações”, uma vez que, disse, “a natureza não negocia, não espera por planos, nem dá aviso. Ela age”.

Para o parlamentar (que se encontra em substituição do Deputado Nuno Barata) a crise sismovulcânica de São Jorge foi paradigmática: “A recente crise sismovulcânica de São Jorge foi um teste relevante. Houve ativação de planos e mobilização operacional. Falhou redondamente a comunicação institucional e de emergência! Felizmente, o cenário mais grave não se concretizou. Mas a pergunta que devemos fazer, com honestidade, é simples: O que mudou estruturalmente desde então? Melhorámos acessibilidades críticas? Desconcentrámos serviços essenciais? Reforçámos redundâncias logísticas entre ilhas? Criámos verdadeiros planos de contingência para cenários de isolamento prolongado? Ou ficámos satisfeitos por nada ter acontecido?”.

Perguntas para concluir que, “hoje, em São Jorge, continua tudo igual ao que era antes da crise sismovulcânica” e para constatar que “a nossa resiliência não pode depender apenas da nossa capacidade operacional”. 

Para a IL/Açores “a concentração excessiva de serviços críticos numa única localização pode ser eficiente em tempo normal, mas, em tempo de crise, pode ser um erro estrutural”, alegando que “num arquipélago como o nosso, cada ilha deve ter capacidade mínima autónoma para responder às primeiras 48 a 72 horas de uma crise severa”. 

“Não vale dizer que foi bem gerido quando nada aconteceu. A verdadeira medida de responsabilidade política é a capacidade de resposta antes de um desastre real e mede-se pela robustez da infraestrutura antes do impacto. A natureza continuará a testar-nos. O que está sob nossa responsabilidade é saber se aprendemos com os testes com que ela nos tem brindado. Não podemos impedir sismos, nem furacões. Mas podemos impedir que a falta de preparação transforme fenómenos naturais em crises humanas agravadas”, afirmou.

Alterações climáticas

Para os liberais insulares “não há decreto que pare um sismo, não há despacho que silencie um vulcão e não há resolução que desvie uma tempestade”, sublinhando que “os Açores não enfrentam apenas um risco, enfrentam um sistema de riscos múltiplos e cumulativos”.

“O Furacão Lorenzo foi um exemplo claro dessa vulnerabilidade. Destruiu infraestruturas portuárias, provocou prejuízos avultados e demonstrou algo essencial: a nossa exposição marítima é estrutural, não episódica. Porque quando um porto é danificado numa ilha, não estamos a falar apenas de infraestruturas, estamos a falar de abastecimento, mobilidade, economia e segurança. E a ciência é clara: as projeções climáticas para o Atlântico Norte indicam tendência para uma maior intensidade de fenómenos extremos, mesmo que não necessariamente com maior frequência”. 

Por isso, acrescentou, “não se trata de retórica ambiental, trata-se de gestão de risco baseada em evidência”, uma vez que “num arquipélago como o nosso, as alterações climáticas significam maior pressão sobre infraestruturas costeiras; maior risco de derrocadas associadas a precipitação intensa; maior erosão; maior instabilidade em zonas já vulneráveis”.

Neste sentido, Pedro Ferreira diz que “o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores desempenha um papel central, mas não pode trabalhar isolado”, frisando que “municípios, forças de segurança, forças armadas, setor privado, IPSS, órgãos de comunicação social e comunidades locais têm de estar integrados numa verdadeira arquitetura de resposta”.

“Não basta ativar planos. É preciso reduzir vulnerabilidades estruturais. Risco sem resposta não é mitigação. O que está sob nossa responsabilidade é saber se aprendemos com os testes com que ela nos tem brindado”, finalizou o Deputado da IL.

IL/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.