
António Lima criticou a estratégia do Governo Regional que permitiu um crescimento desordenado do turismo e que contribuiu para agravar a crise da habitação. Para dar resposta a estas duas crises, o Bloco defende a regulação do setor para travar o crescimento de AL nas zonas de maior pressão e um programa que permita aos proprietários a conversão de AL em habitação a preço acessível.
A estratégia de desenvolvimento económico do atual Governo Regional assentou quase exclusivamente no turismo, com o setor a representar quase 17% do PIB. Depois de vários anos de crescimento desordenado e desregulado, com impactos negativos no custo da habitação, os sinais de preocupação são evidentes, com uma diminuição da procura e uma acentuada sazonalidade, assinalou António Lima, hoje, no parlamento, numa declaração política sobre economia, turismo e habitação.
O pânico do setor do turismo deve-se aos muitos erros do governo regional, que permitiu a desregulação do setor, o que levou a uma economia muito dependente do turismo e ao enorme desfasamento entre a oferta e a procura.
A este cenário juntam-se as incertezas quanto ao futuro da SATA e da TAP, que estão em processo de privatização, e que são as únicas companhias a fazer ligações regulares com exterior da Região, e também a situação geopolítica que decorre da guerra, que está a provocar uma crise nos combustíveis, o que vai aumento os preços das viagens internacionais.
Na oferta de alojamento há também um problema muito grave: o número de camas em AL triplicou em poucos anos, e não há procura que consiga acompanhar o ritmo de expansão.
“Num mercado onde mais de metade das camas está vazia mesmo no verão, como acontece no AL é impossível todos sobreviverem”, salientou António Lima.
“Perante a insustentabilidade deste caminho e perante uma possível desaceleração do turismo no futuro próximo” o Bloco de Esquerda defende medidas que regulem o crescimento o turismo de forma responsável e que contribuam ao mesmo tempo para resolver o problema da falta de habitação.
“Não podemos aceitar que milhares de casas permaneçam vazias enquanto as famílias não encontram rendas que possam pagar”, por isso o Bloco defende que é necessário criar regras que limitem a abertura de novos AL em zonas de maior pressão, e ao mesmo tempo criar um programa de subarrendamento público que possibilite aos proprietários converter AL em habitação a preço acessível.
“Esta é uma medida estrutural que ataca duas crises em simultâneo: turismo e habitação”, explicou António Lima.
O Bloco defende também que a promoção turística deve estar focada no inverno e em novos produtos, centrados na natureza ativa, geoturismo, cultura, gastronomia, e eventos âncora na época baixa.
Além disso, é necessário ter um plano para promover o aumento dos salários de quem trabalha no turismo.
BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU






