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AÇORES | AMRAA defende tratamento diferenciado para os municípios  açorianos perante a Associação Nacional de Municípios 

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A Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA) defendeu, na reunião de  trabalho com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), a necessidade de existir um  tratamento diferenciado para os municípios açorianos, atendendo aos constrangimentos permanentes da  insularidade, da dispersão territorial e dos sobrecustos associados à realidade regional. 

A AMRAA sublinhou que os municípios açorianos não podem continuar a ser avaliados e financiados com  base em critérios desenhados para a realidade continental, sem consideração pelas especificidades próprias  das regiões autónomas. 

O Presidente do Conselho de Administração da AMRAA, Carlos Ferreira, afirmou que “os municípios  açorianos não pedem privilégios. Exigem apenas que os seus constrangimentos reais sejam reconhecidos  e devidamente considerados nas políticas nacionais”. 

No decurso da reunião, a AMRAA alertou para as crescentes dificuldades sentidas pelos municípios na  execução do PRR e do PT2030, designadamente a falta de respostas do IHRU, a escassez de empreiteiros  e projetistas, o aumento dos custos de construção, a falta de propostas em concursos públicos e os prazos  de execução desajustados à realidade regional. 

Carlos Ferreira salientou que “aos municípios açorianos não falta vontade de executar. O que existe são  limitações objetivas de mercado, de escala e de contexto territorial que têm de ser compreendidas”. 

A AMRAA destacou igualmente a necessidade de rever o modelo de financiamento municipal, defendendo  mecanismos compensatórios para os custos acrescidos da insularidade, maior flexibilidade na execução de  fundos comunitários e reforço das verbas destinadas às autarquias açorianas. 

“Não é possível exigir mais competências, mais investimento e mais resposta social aos municípios,  mantendo exatamente os mesmos instrumentos de financiamento”, acrescentou Carlos Ferreira.

A reunião permitiu ainda registar, com particular relevância, a convergência entre a ANMP e a AMRAA  quanto à necessidade de reconhecer, no quadro da revisão da Lei de Finanças Locais, a especificidade dos  municípios açorianos e os encargos permanentes associados à insularidade e à fragmentação territorial. 

A habitação, a proteção civil, os transportes, a gestão de resíduos, a água, o saneamento e a adaptação às  alterações climáticas foram igualmente identificados como áreas de crescente pressão sobre os orçamentos  municipais. 

Carlos Ferreira defendeu ainda uma relação mais próxima e regular entre a ANMP e os Açores,  considerando que a realidade municipal açoriana exige acompanhamento contínuo e não apenas contactos  pontuais. 

“A insularidade não pode continuar a ser vista como uma nota de rodapé nas políticas públicas nacionais”,  concluiu. 

A AMRAA considera que esta reunião constituiu uma oportunidade relevante para reforçar a defesa dos  interesses dos municípios açorianos junto das instâncias nacionais e para consolidar a sua afirmação  institucional enquanto representante do poder local nos Açores.

AMRAA/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.