SÃO JORGE

ATUALIDADE | Edifício da Casa do Povo passa para a Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta

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No passado dia 29 de setembro de 2026, no Cartório Notarial de Velas, foi celebrada a escritura pública de doação do edifício-sede da Casa do Povo da Calheta, situado no Largo do Cais, à Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta.

Este momento representa muito mais do que a transmissão de um edifício. Constitui um passo decisivo para a concretização de um projeto que poderá marcar o futuro das tradições, da cultura e da vivência comunitária da nossa Vila.

Esta decisão resulta da vontade expressa pela maioria dos associados da Casa do Povo da Calheta, que, em julho, aprovaram de forma expressiva esta doação, demonstrando que, perante uma causa justa e de reconhecido interesse coletivo, a comunidade calhetense sabe unir-se em torno de um objetivo comum.

Abre-se agora uma nova etapa, de responsabilidade, compromisso e esperança.

Cabe à Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta dar continuidade a este processo, promovendo a requalificação do edifício e criando condições para que este se transforme num espaço permanente, digno e devidamente preparado para acolher e consolidar as diversas atividades relacionadas com o culto e as tradições do Divino Espírito Santo.

Entre os objetivos que se pretendem alcançar, assume particular importância a criação de um espaço adequado à realização das tradicionais Sopas do Espírito Santo, uma das mais significativas expressões da nossa identidade cultural, da partilha, da solidariedade e do espírito de fraternidade que caracteriza a comunidade calhetense.

Importa recordar que a Vila da Calheta é um dos poucos locais dos Açores que ainda não dispõe de um espaço próprio, fixo e devidamente preparado para a realização das tradicionais Sopas do Espírito Santo. Esta realidade evidencia a importância deste projeto e a oportunidade que agora se apresenta para colmatar uma necessidade há muito sentida, criando condições condignas para preservar e valorizar uma das mais profundas manifestações da nossa identidade religiosa, cultural e comunitária.

Ter na Vila da Calheta um edifício preparado para acolher condignamente esta tradição, bem como outras iniciativas religiosas, culturais e sociais promovidas pela Irmandade, será um contributo de enorme relevância para preservar o nosso património imaterial e transmiti-lo às gerações futuras. Será também uma forma de garantir que esta tradição continue a ser vivida e celebrada num espaço adequado, capaz de acolher a comunidade e de reforçar os valores de união, solidariedade e partilha que lhe estão associados.

Contudo, a concretização deste projeto exigirá determinação, capacidade de organização e, acima de tudo, o envolvimento da comunidade. A requalificação do edifício e a criação das condições necessárias à sua utilização permanente serão um desafio que não deverá recair apenas sobre a Irmandade, mas que poderá e deverá mobilizar todos aqueles que reconhecem a importância desta causa para a Vila e para o Concelho da Calheta.

Nesta etapa, será igualmente fundamental contar com as nossas comunidades emigrantes, que, apesar da distância, mantêm vivos os laços afetivos, familiares, culturais e religiosos com a sua terra de origem. Ao longo de gerações, os nossos emigrantes têm demonstrado um profundo apego à Calheta, às suas tradições e às suas instituições, constituindo uma parte inseparável da identidade da nossa comunidade.

A sua colaboração poderá assumir um papel muito importante na concretização deste projeto, através do contributo de cada um, da mobilização de amigos e familiares e do envolvimento das associações e comunidades calhetenses espalhadas pelo mundo. Será uma oportunidade para que todos aqueles que levam a Calheta no coração possam participar na criação de um espaço que preserve as nossas tradições e permaneça ao serviço das gerações futuras.

Independentemente do lugar onde vivem, todos poderão fazer parte desta causa. A distância não diminui o sentimento de pertença, e este projeto poderá ser mais uma demonstração de que a ligação à nossa terra continua viva, forte e capaz de gerar resultados concretos.

Este é, por isso, o momento de dar mais um passo em conjunto.

Apelamos à participação, à solidariedade e ao contributo de todos os calhetenses, residentes e emigrantes, dentro das possibilidades de cada um, para que este projeto possa avançar e se transforme numa realidade. Cada gesto de apoio, cada contributo e cada manifestação de disponibilidade poderão fazer a diferença na concretização de um espaço que será de todos e para todos.

À Irmandade do Divino Espírito Santo da Vila da Calheta, dirigimos os nossos votos de maior sucesso nesta nova etapa, com a confiança de que saberá conduzir este processo com dedicação, sentido de responsabilidade e espírito de missão.

Que este edifício possa renascer como uma verdadeira casa de tradição, de fé, de partilha e de união, mantendo vivas as nossas raízes e reforçando os laços que nos identificam enquanto comunidade, dentro e fora da nossa terra.

Porque as tradições preservam-se com vontade, mas perpetuam-se com o envolvimento de todos.

Pela nossa Vila, pelas nossas tradições e pelo futuro das Sopas do Espírito Santo, esta é uma causa que merece o contributo de todos — dos que vivem na Calheta e daqueles que, mesmo longe, nunca deixaram de a sentir como sua!

CMC/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.