
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu hoje, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, à reunião de apresentação do Programa Funcional para a Reparação, Reorganização e Redimensionamento do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) aos partidos com assento parlamentar na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, acompanhado pela Secretária Regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi.
A sessão inseriu-se no compromisso do Governo dos Açores de promover um processo participado, transparente e sustentado em critérios técnicos, envolvendo profissionais de saúde, entidades especializadas, parceiros institucionais e forças políticas na definição de uma solução para o futuro do maior hospital da Região.
O líder do Governo açoriano destacou que esta reunião representa mais uma etapa de um processo de diálogo alargado que o executivo tem vindo a desenvolver desde o início da elaboração do Programa Funcional.
“Este foi mais um momento de transparência e de participação, envolvendo os profissionais de saúde, o Conselho de Administração do HDES, a sociedade civil e agora também os partidos políticos, para que todos possam conhecer e acompanhar este projeto estruturante para os Açores”, disse.
O Presidente do Governo sublinhou que o documento agora apresentado resulta de um trabalho técnico aprofundado, desenvolvido com o contributo dos profissionais do hospital e da Antares Consulting, empresa internacional especializada em planeamento hospitalar.
“Não estamos perante a construção de um novo hospital, mas temos a oportunidade de criar um hospital praticamente novo, preparado para responder às necessidades das próximas décadas, pensado pelos profissionais e sustentado em critérios clínicos e técnicos”, acrescentou.
O Programa Funcional prevê uma profunda transformação do HDES, conjugando a construção de novos edifícios, correspondentes a cerca de 60% da área intervencionada, com a remodelação dos restantes 40%. Entre as principais melhorias previstas destacam-se o aumento da capacidade de internamento de 437 para 500 camas, com possibilidade de expansão até 641 camas em situações de necessidade, a criação de 10 salas de cirurgia programada, a duplicação das salas de parto, o crescimento da consulta externa de 60 para 139 gabinetes, bem como o reforço das áreas da urgência, da cirurgia de ambulatório, dos hospitais de dia e da hemodiálise.
José Manuel Bolieiro explicou ainda que a estimativa atual aponta para um investimento na ordem dos 300 milhões de euros, valor que será consolidado na fase seguinte, correspondente à elaboração do Programa Preliminar, documento que antecede o desenvolvimento do projeto e o lançamento do concurso público internacional para a empreitada.
No âmbito da Resolução do Conselho de Ministros n.º 71/2024, o financiamento da intervenção prevê que 85% da despesa seja assegurada pelo Governo da República, no quadro do compromisso estabelecido após o incêndio que afetou o HDES em maio de 2024.
Concluída a fase do Programa Funcional, o Conselho de Administração do HDES foi mandatado para iniciar a elaboração do Programa Preliminar e das respetivas peças técnicas e documentais. O objetivo é que até ao final de 2027 estejam reunidas as condições para o lançamento do concurso público internacional destinado à reparação, reorganização e redimensionamento do hospital.
José Manuel Bolieiro assegura que todo este processo será desenvolvido sem comprometer a resposta assistencial da unidade hospitalar.
E vincou: “Estamos a trabalhar para transformar profundamente o HDES sem interromper a sua missão. O hospital tem de continuar a cuidar dos açorianos enquanto criamos melhores condições para os profissionais de saúde e para as próximas gerações de utentes”.
O Programa Funcional resulta de um processo participado e multidisciplinar, suportado em estudos especializados, projeções das necessidades assistenciais até 2050, análises comparativas com hospitais de referência nacionais e no contributo de mais de 75 profissionais do HDES, envolvidos ao longo de cerca de 50 reuniões de trabalho. O documento constitui a base técnica para uma intervenção que pretende dotar o Serviço Regional de Saúde de uma infraestrutura mais moderna, resiliente e preparada para responder aos desafios das próximas décadas.
GRA/RÁDIOILHÉU






