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REGIÃO | Francisco César denuncia “qualificação em colapso nos Açores” e propõe Projeto de Interesse Comum centrado nas pessoas

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Francisco César denuncia “qualificação em colapso nos Açores” e propõe Projeto de Interesse Comum centrado nas pessoas

Francisco César, Presidente do PS Açores, fez hoje críticas à política de educação e qualificação do Governo Regional, afirmando que os Açores enfrentam um “colapso na qualificação” que impede o desenvolvimento da região. As declarações foram proferidas à margem de uma reunião com a Comissão Especializada de Educação e Formação do CESA (Conselho Económico e Social dos Açores), onde o líder socialista apresentou propostas para reverter este cenário e melhor as propostas apresentadas por esta entidade.

“Os nossos índices de formação profissional, de educação e de qualificação estão a piorar, não estão a melhorar conforme deveria acontecer”, alertou Francisco César, sublinhando que os Açores registam “o número de jovens que não estudam nem trabalham dos mais altos da Europa”, uma realidade que “continua a aumentar”. O abandono escolar precoce também é uma preocupação, com um aumento registado de 2024 para 2025.

O presidente do PS Açores enfatizou que “não podemos querer ter uma sociedade desenvolvida, mais igual, com melhor rendimento, sem conseguir resolver este problema. A educação e a qualificação são a base de qualquer sociedade.”

Francisco César apontou falhas significativas na execução das políticas do Governo Regional, destacando que os planos apresentados “acabam por não ter nenhuma implementação no terreno.” Referindo-se à Agenda Regional para a Qualificação de 2022, o líder socialista criticou que esta “nem sequer saiu do papel”, sem uma única resolução do Conselho de Governo ou despacho regional que a implemente. “Não houve, desde 2022, nenhum plano semestral”, acrescentou. Outros anúncios, como o Plano de Ação para a Orientação Escolar e Profissional, o Programa de Descoberta das Profissões e o Plano de Ação para a Iniciação do Instituto de Emprego e Formação Profissional, também “não saíram do papel”.

Francisco César defendeu a urgência de identificar os jovens em risco de abandono escolar e aqueles que não estudam nem trabalham, frisando que, apesar de muitos, “a possibilidade que nós temos de os encontrar e de tentar arranjar um percurso profissional que os motive e que os qualifique, é possível.”

O líder socialista comparou o cenário atual com o de 2011, quando “cerca de 4.500 jovens por ano saíam para o mercado de emprego com uma formação profissional”, ao passo que este ano “apenas saíram 450 das nossas escolas profissionais com formação profissional.”

Para resolver esta situação, o PS Açores propõe um “Projeto de Interesse Comum”, que constitui uma “parceria com a República, com as Câmaras Municipais, com o Governo Regional, com as Juntas de Freguesia, com as IPSS, com os Clubes Desportivos.” 

O objetivo é “garantir que ninguém abandona a escola ou a sua formação por razões sociais, garantir que têm condições para poder permanecer na escola e acompanhar um a um durante uma geração, fazer um esforço coletivo, fazer um esforço de sociedade.” A meta, segundo Francisco César, é que num “espaço de uma geração possamos dar um salto profissional de qualificação e de educação que permita estar ao nível da Europa. Não é difícil, é preciso ter vontade para cumprir e para fazer.”

“Nós temos essa vontade e é isso que estamos a apresentar”, concluiu o Presidente do PS Açores.

PS/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.