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REGIÃO | Bloco critica corrida ao armamento pela União Europeia e alerta que haverá consequências negativas para os Açores

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O Bloco alerta que o aumento das despesas militares da União Europeia vai trazer consequências negativas para os Açores. Hoje, num debate sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, António Lima critica esta mudança de prioridades, salientando que vai implicar a redução de investimentos em áreas fundamentais como a habitação, saúde, educação e mobilidade.

“A chamada aposta na Defesa não cai do céu, paga-se à custa daquilo que sustenta a coesão social e o desenvolvimento”, afirmou o deputado do Bloco.

Perante a narrativa de que a aposta europeia na Defesa representa uma oportunidade económica para os Açores – que tem sido defendida inclusivamente pelo presidente do Governo Regional – António Lima salienta que à Região caberá, uma vez mais, a mera função de “plataforma para estratégias definidas por outros” e lembra que a história já mostrou “os problemas que isso acarreta para quem aqui vive, como é exemplo a contaminação e outros custos ambientais”, que geram “dependência e escasso retorno estrutural”.

O deputado do Bloco lembra que os Açores continuam “a enfrentar debilidades sérias ao nível da saúde, da educação, dos rendimentos, da coesão social e da estrutura produtiva” e que não “precisam de ser empurrados para o papel de território funcional num quadro de militarização europeia”, mas sim de “financiamento orientado para as necessidades regionais”.

Assim, o Bloco defende que no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia os Açores devem exigir que o estatuto ultraperiférico tenha expressão concreta, que a coesão não seja enfraquecida e que o POSEI, o LIFE e outros programas fundamentais para a região não sejam absorvidos noutros envelopes financeiros.

Além disso, é importante lutar para que a conectividade e as acessibilidades sejam tratadas como prioridades permanentes e que o ambiente não seja sacrificado em nome da competitividade armada e do endurecimento das fronteiras.

“Os Açores só ganham com uma Europa que reconheça as suas especificidades, respeite a sua autonomia política, valorize a coesão e invista no que sustenta a vida das pessoas e o futuro da Região”, afirmou António Lima, que considera que “esta é a única posição compatível com os interesses dos açorianos”.

BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.