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AÇORES | BE. Proposta da coligação sobre tarifa de residente foi mera tentativa de disfarçar incómodo com trapalhadas da República

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Proposta da coligação para criar uma tarifa de residente no Subsídio Social de Mobilidade iria apenas prejudicar o processo legislativo que está a decorrer na Assembleia da República e serviu apenas para tentar disfarçar o incómodo do PSD, CDS e PPM com as trapalhadas do Governo da República de Luís Montenegro sobre a mobilidade dos açorianos.

As medidas que a coligação introduziu na proposta que levou hoje ao parlamento, para que os passageiros residentes paguem apenas 119 euros na compra do bilhete, sem adiantar mais valores, estão já previstas nas propostas que estão em análise da Assembleia da República, incluindo uma proposta do Bloco de Esquerda.

O incómodo dos partidos da coligação é que, na Assembleia da República, nem o PSD, nem o CDS apresentaram propostas para defender a mobilidade dos açorianos.

“Já sabíamos que os deputados do PSD na Assembleia da República eleitos pelos Açores estão sujeitos à Lei da Rolha”, porque foram impedidos pelo seu líder parlamentar de fazer intervenções quando se discutiu o subsídio social de mobilidade, “mas pelos vistos também estão amarrados”, porque não podem fazer propostas de alteração à proposta que está a ser em processo legislativo, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda.

Ainda esta semana, num outro debate sobre o subsídio social de mobilidade, o deputado António Lima já tinha salientado esta falta de autonomia dos deputados do PSD/Açores na Assembleia da República. “De que é que serve votar no PSD, se os deputados não podem falar nem fazer propostas?”, questionou António Lima.

A incoerência da coligação vai ainda mais longe, quando agora diz defender que os passageiros residentes devem paguem apenas os 119 euros, mas no passado já votou contra propostas do Bloco que defendiam exatamente o mesmo.

António Lima assinalou ainda que a proposta do Bloco na Assembleia da República prevê também o fim do teto máximo de 600 euros para o valor a ser abrangido pelo subsídio social de mobilidade.

Na proposta da coligação não estava previsto o fim do teto dos 600 euros, por isso o deputado do Bloco perguntou que se o PSD, o CDS e o PPM já tinham abdicado deste objetivo.

Na declaração de voto, António Lima reforçou que o Bloco votou contra a proposta da coligação – que foi rejeitada com os votos de todos os restantes partidos – porque iria apenas criar ruído no processo que está a decorrer na AR, por iniciativa do parlamento dos Açores.

BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.