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ATUALIDADE | CDS defende que os Açores devem ser protagonistas nas decisões sobre a Base das Lajes

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O Líder Parlamentar do CDS/Açores, Pedro Pinto, afirmou hoje que a Base das Lajes, na Ilha Terceira, “não é apenas uma infraestrutura militar”, sublinhando que representa “parte integrante da história, da identidade e da vivência de muitas gerações de açorianos e terceirenses”.

Numa intervenção marcada pela valorização da relação histórica entre os Açores e os Estados Unidos da América, o Deputado recordou que com a instalação dos americanos na Base das Lajes no pós-Segunda Guerra Mundial “muitos açorianos rumaram à ilha Terceira em busca de oportunidades de emprego”, criando uma ligação que ultrapassa a dimensão estratégica.

“Construiu-se uma relação de proximidade genuína durante décadas entre dois povos, feita de convivência diária, amizade e respeito mútuo. Não foi apenas cooperação entre Estados, foi uma ligação humana profunda”, destacou.

Pedro Pinto salientou ainda o impacto cultural dessa convivência, presente inclusive na linguagem quotidiana dos terceirenses em expressões populares como ‘gama’, ‘alvarozes’, ‘friza’ ou ‘sleepas’, exemplos de marcas vivas dessa partilha entre comunidades que aprenderam a viver lado a lado. 

Para além disso, o Deputado lembrou que “foi na ilha Terceira que surgiu a primeira experiência de televisão em território português”, evidenciando o papel da Base das Lajes como porta de entrada da modernidade nos Açores.

Pedro Pinto destacou igualmente momentos históricos dessa relação como o Azorean Refugee Act que entre 1958 e 1960 permitiu a emigração de muitos açorianos para os Estados Unidos, nomeadamente da Ilha do Faial na sequência da erupção dos Capelinhos. 

“Esta ligação está presente nas famílias açorianas. Todos temos amigos ou familiares na América”, referiu.

O Deputado defendeu que este passado deve orientar as decisões futuras, especialmente no âmbito da Comissão Bilateral entre Portugal e os Estados Unidos relativo à Base das Lajes. 

“Se existe um acordo de cooperação e defesa entre os Estados Unidos e Portugal à geografia se deve, às Lajes se deve. Quando estão em causa os Açores, os Açores devem ter uma voz forte e preponderante”, afirmou.

Invocando a Constituição da República Portuguesa (artigo 227.º, n.º 1, alínea t), Pedro Pinto considerou “natural e constitucionalmente coerente” que a Região Autónoma dos Açores tenha um papel mais relevante na Comissão Bilateral.

Destacou ainda a importância da representação regional ao mais alto nível, referindo que “se queremos ser valorizados, temos também de valorizar os nossos interlocutores ao mais alto nível”. 

Por fim, recordou as dificuldades vividas após o downsizing da Base das Lajes em 2015, criticando a falta de resposta por parte da República. 

“Problemas como o abandono das habitações dos bairros americanos arrastaram-se durante anos, tendo sido resolvidos apenas com a intervenção do nosso Governo Regional de Coligação”, apontou. 

Também deu como exemplo recente a atuação do Governo dos Açores durante o shutdown do Governo norte-americano, que garantiu o pagamento temporário dos salários dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes. 

“Fica demonstrado que os problemas se resolvem quando os Açores têm voz ativa e capacidade de decisão. Quando se discute o futuro dos Açores, os Açores não podem ser apenas objeto de decisão devem ser protagonistas dessa decisão”, concluiu. 

CDS/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.