REGIÃO | Nuno Barata (IL) diz que “esta é a hora” de exigir a revisão do Acordo da Base das Lajes

“É no momento em que os atores externos olham para a nossa geografia como geostratégica que nós temos de afirmar a nossa importância e garantir que, no futuro mais próximo, se continuam a fazer investimentos. Porque a importância geostratégica dos Açores só é reconhecida quando, de facto, alguém, externamente, precisa de nós para alguma coisa”.
A afirmação é de Nuno Barata, Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores e foi proferida, esta quarta-feira, no âmbito de um debate de urgência sobre a utilização da Base das Lajes, na ilha Terceira, por um destacamento militar norte-americano, ao abrigo do Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa assinado entre Portugal e os Estados Unidos da América em 1995.
Para Nuno Barata “a importância geostratégica da Base das Lajas não pode ser vista apenas como uma conta de deve e haver entre os Estados Unidos, os Açores e Portugal. O Governo Regional fala, por alto, na revisão do Acordo. O Acordo entre Portugal e os EUA é de 1995, está por rever e está a ser renovado tacitamente desde 2000. Obviamente, tem de ser revisto. Porque existem problemas laborais, problemas técnicos e uma quantidade enorme de problemas que foram elencados e que só se resolvem com a revisão do Acordo Bilateral”.
“Dirão alguns que não é a altura de o fazer. Dirão outros, até diz a IL, que é a altura de o fazer. Porque a importância geostratégica dos Açores só é reconhecida quando, de facto, alguém externamente precisa de nós para alguma coisa. E é na altura que alguém precisa de nós para alguma coisa que temos de nos afirmar como sendo realmente importantes. Não é daqui a dias. Quando tudo estiver resolvido, quando já não precisam de nós para nada. Quando já não estiverem 400 militares a dormir nos hotéis da Ilha Terceira. Já não estiverem os restaurantes cheios na época baixa. Quando já não formos precisos, deixamos de ser importantes, voltamos a ser apenas geografia e não geostratégica”, afirmou.
O parlamentar liberal vai mais longe: “Se em 1943, 1944 e 1945 tivessem pensado assim, provavelmente tínhamos sido ocupados, não tínhamos nada, não tinha havido contrapartidas, não havia aeroporto de Santa Maria, provavelmente a Base das Lajes seria um retângulo com a bandeira dos Estados Unidos lá hasteada e não teríamos sequer metade daquilo que tivemos de contrapartidas ao longo dos anos. Portanto, esta é a hora, da Região Autónoma dos Açores bater o pé, se sentar à mesa com Lisboa e, de uma vez por todas, para não acontecer como aconteceu agora com o Subsídio Social de Mobilidade, depois virem chorar sobre o leite derramado”.
O Deputado da IL referiu, assim, que “não podemos olhar para esta geografia e para a sua importância estratégica apenas como quem olha para a carteira com mais ou menos uns trocos. Temos de olhar para isto com quem olha para o nosso desenvolvimento socioeconómico e a nossa linha avançada de defesa. Se um dia fomos, ou se calhar ainda somos, a linha avançada da defesa dos Estados Unidos, bom seria que também fôssemos uma linha avançada da defesa da Europa”.
Americanos investem 100 milhões por ano nos Açores
Nuno Barata, por outro lado, lembrou que, anualmente, os norte-americanos investem na economia local e regional cerca de 100 milhões de dólares, entre pagamentos de salários aos trabalhadores portugueses e investimentos na infraestrutura militar nas Lajes, que é simultaneamente a infraestrutura aeroportuária civil da ilha Terceira.
“O downsizing de 2015 foi antecedido por um pequeno downsizing da própria Força Aérea Portuguesa, que também deixou de investir na Base Aérea nº 4, que é uma base portuguesa que cede aos Estados Unidos a sua utilização. Isto foi amplamente debatido na altura, mas penso que pouco debatido em Lisboa, pois quase sempre Lisboa é que tem decidido sobre os destinos da Base das Lajes e o destino das contrapartidas da Base das Lajes. Os Estados Unidos, ainda em 2024, investiram cerca de 23 milhões de dólares na Base das Lajes em investimento. Não é pouco. Os Estados Unidos gastam cerca de 100 milhões de dólares, por ano, na Base das Lajes, 50 milhões dos quais em salários que, obviamente, têm reflexo na economia da Ilha Terceira e dos Açores”, referiu.
Por isso, insistiu Nuno Barata, “é no momento em que os atores externos olham para a nossa geografia como geostratégica que nós temos que afirmar a nossa importância e garantir que, no futuro mais próximo, se continuam a fazer investimentos nestas áreas, sejam elas na Base das Lajes, sejam elas com a Força Aérea e o projeto de foguetões em Santa Maria, seja onde for”.
IL/AÇORES/RÁDIOILHÉU






