
O Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral reuniu com a IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, e a com a respetiva Federação Europeia (FEFAC), num encontro que considerou “essencial para perceber as consequências e os primeiros cálculos sobre o impacto no setor agrícola das sucessivas tempestades que têm assolado Portugal. A situação é deveras dramática, também ao nível agrícola”.
Na reunião, que contou com a presença do Eng. Jaime Piçarra, Secretário-Geral da IACA, foram abordadas diversas temáticas que estão em debate, como é a questão da importância da agricultura para a segurança e defesa europeias. “Desde o início do debate sobre o reforço da segurança e defesa europeias que tenho alertado que colocar comida na mesa dos europeus é também um pilar da segurança e defesa. Organizei, aliás, o primeiro evento neste mandato sobre esta relação, com representantes da agricultura e da defesa. Infelizmente, a Comissão Europeia não tem uma posição articulada, pois a Defesa considera importante avançar com reservas estratégicas alimentares, desde logo cereais, mas a Agricultura não considera importante. Fiquei satisfeito por ver esta ligação entre defesa e segurança alimentar também defendida pela IACA”, salientou Paulo do Nascimento Cabral.
Um outro ponto abordado teve a ver com o fim da suspensão do acordo tarifário com os Estados Unidos. “Na próxima semana, em Estrasburgo, iremos votar este acordo. A situação com os EUA está mais estável, ou melhor, menos instável, e não sendo um bom acordo, precisamos de o implementar para garantir previsibilidade para as nossas empresas, e continuar sempre a negociar de modo a melhorar os termos do acordo, desde logo garantindo reciprocidade. Não obstante, neste momento é incerto o que acontecerá”, afirmou o Eurodeputado do PSD, que é membro da Delegação para as Relações com os Estados Unidos.
Sobre a próxima Política Agrícola Comum, também foram apresentadas as linhas mais importantes, nomeadamente a manutenção da estrutura em dois pilares, a necessidade de não termos cortes no financiamento e garantir estabilidade e previsibilidade para o investimento dos agricultores, ao nível do desenvolvimento rural, estando estas prioridades alinhadas com o que tem sido defendido ao nível do Parlamento Europeu.
Segundo Paulo do Nascimento Cabral, “para além das informações que já tinha, tomei igualmente conhecimento da posição da IACA sobre a situação particularmente difícil que afeta um número significativo dos nossos agricultores. Não obstante o elevado empenho e esforço de todos os intervenientes, desde as autoridades públicas, entidades privadas e mesmo cidadãos, subsistem ainda constrangimentos no acesso às explorações agrícolas, bem como preocupações ao nível das cadeias de abastecimento. Tendo sido afetadas diversas explorações, com especial incidência no setor suíno e nas explorações de pequena dimensão e de caráter familiar, e destruídas diversas unidades industriais, poderemos assistir a um acréscimo da dependência externa, decorrente do aumento, ainda que temporário, das importações.”
“Preocupa-me também o eventual abandono da atividade, dada também a idade de alguns dos agricultores afetados, que nos coloca um problema adicional. O meu apelo é que se utilize todas as ajudas já anunciadas pelo Governo para o setor e tenho a certeza de que as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional estão a fazer o seu melhor para agilizar os processos de apoio a quem mais precisa. No Parlamento Europeu também iremos solicitar que todos os apoios disponíveis e previstos para estas situações sejam mobilizados. Neste sentido, não posso deixar de elogiar o rápido pedido do Governo de Portugal para a ativação da reserva agrícola, na sequência também da presença em Portugal da DG AGRI para uma reunião sobre o futuro da PAC, tendo o Ministro José Manuel Fernandes apresentado novamente a necessidade de um resseguro agrícola para salvaguardamos ao máximo situações como estas. Pelo nosso lado, da Delegação do PSD no Parlamento Europeu, tudo faremos para o processo de ativação da reserva agrícola seja o mais rápido possível e que exista consenso entre os nossos colegas eurodeputados”, acrescentou o Deputado Europeu.
“Será um processo demorado até à reposição da normalidade, pois diversas infraestruturas fundamentais foram afetadas”, admitiu Paulo do Nascimento Cabral, aproveitando para deixar, por outro lado, uma palavra de ânimo e um apelo ao setor ao afirmar que “a agricultura e os agricultores sempre foram resilientes, e agora necessitamos muito que não desistam”.
Paulo do Nascimento Cabral expressou, por fim, “também a minha solidariedade para com todos os afetados por estas terríveis e destruidoras intempéries”, endereçando as suas “condolências às famílias das vítimas”.
PE/RÁDIOILHÉU






