MADALENA | Berta Cabral sublinha papel decisivo do Alojamento Local na fase crítica de transição do destino Açores

A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas afirmou hoje, na ilha do Pico, que o Alojamento Local (AL) “tem um papel absolutamente determinante nos Açores” e foi “decisivo numa fase crítica de transição do destino”, sublinhando que esse contributo “não pode ser esquecido”.
Berta Cabral falava na sessão de abertura do 4.º Encontro de Alojamento Local dos Açores, que decorre no Auditório da Madalena, onde destacou que este segmento permitiu “responder à procura, elevar a qualidade da oferta, diversificar experiências e, sobretudo, levar o turismo a todas as ilhas, a todo o território e ao longo de todo o ano”.
Numa intervenção gravada, a governante salientou que o Alojamento Local se afirmou como “um verdadeiro instrumento de democratização do rendimento, de reabilitação do edificado, de criação de emprego e autoemprego, de fixação de pessoas e de dispersão equilibrada dos fluxos turísticos, incluindo em zonas rurais e mais periféricas”.
Segundo Berta Cabral, este setor tem igualmente “um efeito multiplicador muito relevante na economia regional”, contribuindo para o surgimento de novos negócios e empresas associadas ao turismo.
A Secretária Regional reconheceu, contudo, que o setor entra agora “numa nova fase do turismo nos Açores”, marcada por fatores internos e externos que também afetam o Alojamento Local.
“É uma fase que exige maturidade, reflexão estratégica e capacidade de adaptação”, afirmou.
Apesar de o turismo continuar a crescer na Região — tendo os Açores sido, entre 2023 e 2025, a Região do país com maior crescimento relativo, sobretudo em receitas —, Berta Cabral considerou positivo o facto de o aumento ter sido mais significativo em receitas do que em dormidas, por significar “mais valor gerado no destino”.
Ainda assim, alertou que “seria irresponsável ignorar os sinais de ajustamento da procura que já se fizeram sentir em 2025”, que “exigem acompanhamento atento”.
A governante apontou como principais causas as “mudanças profundas no contexto internacional”, nomeadamente a instabilidade geopolítica e as alterações nos padrões de consumo e de viagem, sobretudo nos mercados dos Estados Unidos e da Europa.
Tendo em conta a condição insular, fragmentada e ultraperiférica dos Açores, Berta Cabral considerou essencial “assegurar a competitividade do destino”, com especial atenção a fatores críticos como o preço, a qualidade, a gestão de expectativas e o posicionamento turístico.
A Secretária Regional defendeu ainda a importância de preservar uma imagem externa positiva do destino, combatendo “narrativas simplistas, quer de massificação — quando ela não existe —, quer de crise, quando decorrem ajustamentos normais de mercado”.
Apesar dos desafios, a governante destacou que o novo contexto também cria oportunidades e defendeu que a evolução do Alojamento Local, à semelhança do destino turístico no seu conjunto, deve ser “sustentável, sustentada e orientada para a qualidade, para o valor percecionado e para a credibilidade da oferta”.
“Temos todos de garantir o equilíbrio entre o território, a capacidade instalada, a procura, a evolução da oferta e a nossa imagem externa”, afirmou, adiantando que o Governo dos Açores está a preparar iniciativas para reforçar o trabalho colaborativo com o setor, como resposta a esta nova fase do ciclo de vida do destino.
Em conclusão, Berta Cabral sublinhou que “o futuro do turismo nos Açores constrói se com diálogo, responsabilidade e cooperação”, reiterando que “o Alojamento Local continuará a ser uma parte essencial dessa construção”.
GRA/RÁDIOILHÉU






