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AÇORES | Chega. As trapalhadas da Sata Internacional um problema estrutural que exige coragem política

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A SATA Internacional transformou-se, ao longo dos anos, num verdadeiro símbolo da má gestão pública nos Açores. Um projeto que nasceu com ambição, mas que foi sendo capturado por decisões políticas erradas, falta de estratégia empresarial e uma total ausência de responsabilização. O resultado está à vista: prejuízos sucessivos, injeções constantes de dinheiro público e um futuro cada vez mais incerto.

O CHEGA Açores tem sido claro desde o primeiro momento: manter a SATA Internacional como está é simplesmente irresponsável. Não é sério continuar a pedir sacrifícios aos açorianos, seja através de impostos, cortes noutros setores essenciais ou endividamento da Região, para sustentar uma empresa que não demonstra capacidade de ser viável.

Há quem continue a falar em “reestruturações”, “planos de recuperação” e “novos modelos de gestão”. A verdade é que essas promessas já foram feitas vezes sem conta e falharam sempre. Cada novo plano foi apenas mais um adiamento do inevitável, comprado à custa de milhões de euros dos contribuintes. Isto não é gestão; é teimosia política.

Perante este cenário, o CHEGA Açores aponta dois caminhos claros e honestos:

Primeiro, o encerramento da SATA Internacional, assumindo com frontalidade que o projeto falhou. Fechar uma empresa pública não é um crime político; crime político é mantê-la artificialmente viva, sabendo que continuará a gerar prejuízos. O encerramento, ainda que difícil, permitiria travar a sangria financeira e libertar recursos para áreas verdadeiramente prioritárias como a saúde, a habitação, a mobilidade inter-ilhas e o apoio às famílias.

Segundo, a integração da SATA Internacional na TAP, solução que deve ser analisada sem preconceitos ideológicos. Esta opção permitiria evitar indemnizações milionárias aos trabalhadores, salvaguardar postos de trabalho e assegurar ligações aéreas estruturantes para os Açores. Mais do que isso, permitiria inserir as rotas açorianas numa rede nacional e internacional com escala, planeamento e capacidade financeira, algo que a SATA Internacional, isolada, nunca conseguiu garantir.

Ao contrário do discurso alarmista de alguns setores políticos, a integração na TAP não significa abandono dos Açores. Pelo contrário: pode significar mais estabilidade, mais previsibilidade e rotas definidas com base em critérios técnicos, económicos e de interesse público, e não em caprichos políticos, lógicas eleitorais ou pressões bairristas que apenas servem para manter ilusões.

O verdadeiro problema é que muitos responsáveis políticos preferem não decidir. Vivem confortavelmente neste “nem fecha, nem integra”, porque assim ninguém assume culpas. Entretanto, os prejuízos acumulam-se, os trabalhadores vivem na incerteza e os açorianos continuam a pagar a fatura.

O CHEGA Açores recusa esta política do empurrar com a barriga. Defendemos uma Região Autónoma adulta, que sabe enfrentar a realidade, tomar decisões difíceis e romper com décadas de má gestão e dependência do dinheiro público.

A SATA Internacional precisa de uma decisão estrutural, não de mais um remendo. Continuar como está não é opção. É tempo de escolher entre responsabilidade e populismo, entre coragem política e cobardia governativa. E nesse ponto, o CHEGA Açores não tem dúvidas de que lado está.

CHEGA/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.