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ÚLTIMAS | Direita rejeita voto de protesto do Bloco contra desrespeito de Trump pelo Direito Internacional e pela defesa da Carta das Nações Unidas

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O Bloco de Esquerda apresentou hoje um voto de protesto pelo desrespeito pelo Direito Internacional da administração Trump e em defesa dos Princípios da Carta das Nações Unidas. O voto manifestava também solidariedade para com a Gronelândia – que está sob ameaça de invasão pelos EUA – como forma de salvaguardar a defesa da integridade do território dos Açores no futuro. Surpreendentemente, PSD, CDS, PPM, IL e Chega votaram contra.

“Aceitar passivamente que os territórios podem ser comprados ou anexados pela necessidade de segurança por parte de uma superpotência é pôr de lado o conceito de soberania, e, por consequência, o próprio Direito Internacional”, assinalava o voto, que foi rejeitado hoje no parlamento dos Açores.

António Lima lamentou “a falta de coragem das bancadas da direita em ter uma palavra contra os atos de Donald Trump”, que são “completamente à margem do Direito e da Lei”.

O deputado do Bloco lamentou que, além de estarem agora ao lado de Donald Trump, PSD, CDS e Chega estejam “há muito tempo ao lado dos ditadores”.

Para explicar esta afirmação, António Lima mostrou no plenário notícias que mostram a recente ida à China, a convite do Partido Comunista Chinês, do atual líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, uma notícia de quando Passos Coelho recebeu Nicolas Maduro em Portugal e lhe pediu “para voltar mais vezes”, e ainda uma fotografia de Paulo Portas, quando era ministro, a abraçar Nicolas Maduro.

“Não é o Bloco que tem estado ao lado de ditadores” e quando “Paulo Portas andava aos abraços com Nicolas Maduro já o Bloco de Esquerda condenava o regime da Venezuela”, afirmou António Lima, salientando que o voto apresentado hoje tinha “um parágrafo inteiro a condenar liminarmente o regime de Nicolas Maduro, sem qualquer tibieza, ao contrário dos discursos gelatinosos” dos partidos de direita que votaram contra.

O voto expressava também a importância de preservar o Direito Internacional como forma de proteger o futuro dos Açores, tendo em conta a posição geoestratégica e os recursos naturais do arquipélago, para evitar que venham a ser alvo de cobiça por outros estados.

António Lima citou ainda o secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, quando apontou “preocupação profunda em relação ao aumento da instabilidade [na Venezuela], ao potencial impacto na região e ao precedente que pode estabelecer para como as relações entre estados são conduzidas” e quando salientou a necessidade “imperativa de respeito absoluto, por todos, do Direito Internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, que é um pilar para a manutenção da segurança e da paz mundiais”.

BE/AÇORES/RÁDIOILHÉU

Mauricio De Jesus
Maurício de Jesus é o Diretor de Programação da Rádio Ilhéu, sediada na Ilha de São Jorge. É também autor da rubrica 'Cronicas da Ilha e de Um Ilhéu' que é emitida em rádios locais, regionais e da diáspora desde 2015.